Projetos habitacionais para famílias de baixa renda inexistem
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2001
Silvana Leão<bR>De Londrina 
Segunda-feira, horário em que, presume-se, pais de família estão trabalhando para sustentar a família. Genivaldo Pinheiro, 30 anos, vendedor desempregado há quatro meses, cuida dos filhos pequenos em barraco de terreno ocupado irregularmente ao lado do Assentamento São Jorge, na zona norte de Londrina. Ele é apenas um dos muitos que se vêem excluídos do mercado de trabalho e, sem outra opção, vão morar com a família nas invasões que surgem pela cidade.
O vendedor desempregado passa os dias cuidando dos dois filhos um deles um bebê de cinco meses. Com a decisão de mudar-se para o local, Pinheiro engrossou uma camada da população que vive na miséria e não tem onde morar. São os chamados sem-teto.
A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab/Ld) estima que existam atualmente no município aproximadamente 1.850 famílias que não desfrutam do direito básico da moradia. Este é o número de famílias que, segundo a Companhia, ocupa hoje as 27 áreas invadidas pertencentes ao município e as cinco pertencentes a particulares.
Na prática, porém, este número pode ser maior. Só no Jardim Marieta (zona norte), onde a Cohab calcula que estejam morando 25 famílias, a Folha apurou recentemente que existem cerca de 100 famílias. A invasão ocorreu em maio deste ano, e foi a primeira das três ocupações registradas em Londrina no ano de 2001. As outras duas ocorreram em terreno localizado entre os jardins Itapuã e Franciscato, pertencente à Loteadora Tupy, na zona sul do município; e na área ao lado do São Jorge.
No terreno da Loteadora Tupy estão morando 40 famílias, e na ocupação próxima ao São Jorge, batizada de Nossa Senhora Aparecida, são cerca de 250 famílias sendo que destas fazem parte aproximadamente 280 crianças. Além da diferença entre os números oficiais e os registrados na prática é grande a oscilação. Praticamente todos os dias tem família sendo obrigada a deixar sua moradia por falta de recurso ou migrando de municípios menores para Londrina, na esperança de conseguir emprego.
Antonio Galdino dos Santos, de 52 anos, outro morador da invasão ao lado do São Jorge, já morou em várias cidades da região trabalhando na colheita de café, até resolver vir para Londrina viver de ''bicos''. Nem sempre ele, a mulher e os três filhos têm o que comer em casa. Mesmo assim se dá por satisfeito por ter um lugar para ficar e um ''canto para se esconder''. Santos confessa que por pouco não se mudou com a família para debaixo da ponte.
Nos terrenos ocupados irregularmente, é comum também encontrar pessoas que estão ali para ''guardar'' o lugar para outros, geralmente parentes. É o caso da dona de casa Maria Bispa Cordeiro, de 57 anos, que foi para o Nossa Senhora Aparecida garantir um terreno para o filho, que é catador de papel. Dona Maria tem casa própria no Jardim Leonor e só vai para a invasão para dormir.
Diante do grave problema social refletido nas invasões de terrenos, a Polícia Militar tem agido com cautela. Negociações vêm sendo feitas com os moradores para que os mandados de reintegração de posse sejam cumpridos pacificamente. No último dia 26, o tenente-coronel Rubens Guimarães, comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), esteve na Favela Quati (zona oeste), uma das ocupações feitas em terreno particular há aproximadamente seis anos. Moram no local 26 famílias, que não viram com bons olhos a proposta de ir para o Jardim Maracanã (zona oeste).
A visita do comandante da PM ao local resultou em acordo com a Construtora Cebenge Engenharia proprietária do terreno que concede um prazo até o dia 10 de janeiro para as famílias saírem. ''Estamos tentando resolver a situação através do diálogo, sem tropas'', informa Guimarães.

