A professora Josiane Marques Felcar iniciou no Hospital Universitário da UEL (Universidade Estadual de Londrina) um projeto que visa auxiliar no tratamento de crianças de 8 a 12 anos diagnosticadas com asma. O projeto é integrado entre pesquisa e extensão e é aberto ao público. A primeira turma já começou a ser atendida no HU e ficará por três meses junto à equipe da professora, que é doutora em Ciências da Saúde pela UEL. Os meninos e meninas são atendidos por uma equipe que reúne entre 15 e 20 pessoas, no total.

Para participar, a criança precisa apresentar estabilidade no quadro de asma. “Elas passam por uma avaliação completa antes do início do projeto. Com base nessa avaliação, são direcionadas para um dos três grupos de tratamento, que são solo, água ou uma combinação de ambos. Esse tratamento dura três meses e, ao final, é feita uma reavaliação com base nos critérios iniciais", detalha Felcar.

Segundo ela, o relatório da avaliação é entregue aos pais, que podem levá-lo aos médicos para acompanhamento. "Nele, constam informações sobre o que melhorou, o que não teve evolução e quais mudanças ocorreram no comportamento das crianças ao longo do tratamento”, explicou Josiane Felcar.

A principal novidade do projeto é a combinação entre solo e água no trabalho com as crianças. “O principal benefício da água é a prática do exercício físico em si, pois o ambiente aquático é mais atrativo para essa população. Além disso, a água reduz o impacto corporal, facilitando os movimentos. A pressão da água sobre o tórax auxilia no trabalho respiratório, permitindo realizar exercícios que, fora da água, seriam mais difíceis para esses pacientes", observou.

Felcar ressalta também que o trabalho em grupo é um diferencial, "pois proporciona interação social, o que é essencial para pessoas com condições de saúde como essas. Ao verem a evolução uns dos outros, os participantes se sentem mais motivados. Em outros projetos que realizamos, observamos melhoras significativas tanto na parte respiratória quanto na qualidade de vida e do sono”, seguiu a especialista e coordenadora do projeto, que reúne grupos de cinco a seis crianças.

'A pressão da água sobre o tórax auxilia no trabalho respiratório, permitindo realizar exercícios que, fora da água, seriam mais difíceis para esses pacientes", observa Josiane Felcar
'A pressão da água sobre o tórax auxilia no trabalho respiratório, permitindo realizar exercícios que, fora da água, seriam mais difíceis para esses pacientes", observa Josiane Felcar | Foto: Matheus Camargo

'ELA NÃO SENTE CANSAÇO'

Mesmo ainda no início, os responsáveis pelas crianças que participam do projeto se encantam com o resultado. A aposentada Maria Roseli Lopes Pinheiro tem levado sua neta de dez anos todas as terças e quintas-feiras. Segundo ela, a melhora é nítida. “Ficamos sabendo na escola, nos chamaram e trouxemos. Ela não tem mais aquela ansiedade e não fica mais tão cansada. Ela tinha muitas crises, às vezes passava o dia todo no oxigênio", relata. "Já tínhamos feito um tratamento antes, por um ano, mas em dezembro voltou de novo, fortíssima, foi a pior que ela teve. Agora está dando certo. Notamos que ela está mais saudável, joga bola na rua e não sente cansaço”, acrescentou.

As escolas têm sido o principal meio de divulgação do projeto de Josiane Felcar, que conseguiu solicitar na Secretaria de Educação do município o aviso aos pais que tivessem os filhos diagnosticados com asma.

“Ele tinha muitas crises asmáticas. Ficávamos no hospital com ele por muitas horas, mas agora tem melhorado bastante", disse Estela Leão, professora que leva o irmão, de dez, para o projeto no HU. Segundo ela, o aviso também chegou por meio da escola.

“É tão importante que a gente se esforça para estar aqui. Ele só teve crise quando fizeram uma pausa no Carnaval. Brincou muito e acabou ficando mal. Durante o projeto, ele fica ótimo. Sou adulta e também tenho asma, então sei o quanto é ruim, é terrível. Para nós, adultos, já é horrível, imagino para uma criança”, seguiu ela.

A dona de casa Matilde Borges também leva o neto, de 11, para participar do projeto e destacou a melhora no dia a dia. “Ele tinha dificuldade para brincar, correr... Qualquer brincadeira que envolvesse esforço, como jogar bola, ele não podia de jeito nenhum. Antes, até vomitava nas crises e sentia dor de cabeça por causa da asma. Ele nunca fez nenhum tratamento antes, esse é o primeiro. Desde então, não teve mais crises nem dor de cabeça”, afirmou.

COMO PARTICIPAR

Os pais ou responsáveis que tiverem interesse no projeto que atende crianças com asma podem entrar em contato pelo número (43) 3371-2490.

CARDIOPATIA CONGÊNITA

O projeto voltado às crianças com asma já teve início e está em andamento, mas não é o único da professora Josiane Felcar que está aberto ao público. Também será iniciado nos próximos dias o projeto de treinamento físico em solo e água para adolescentes com cardiopatia congênita. A primeira avaliação foi realizada no dia 12 de março.

“No caso dos adolescentes, vamos avaliar aqueles com idades entre 13 e 17 anos que tenham alguma cardiopatia congênita e que já tenham passado por cirurgia cardíaca corretiva. A maioria desses adolescentes apresenta algum efeito residual da cardiopatia, e queremos analisar como a fisioterapia pode ajudá-los", explica a professora.

"Esses adolescentes tendem a ser muito sedentários, pois suas famílias, por medo de que o exercício físico seja prejudicial à condição deles, acabam restringindo sua prática. No entanto, há evidências científicas de que a atividade física é benéfica. A inovação que estamos trazendo é a introdução do tratamento na água, em uma piscina adaptada e aquecida", acrescenta.

A especialista explicou que todos os cuidados são tomados para que os adolescentes possam participar com segurança do projeto, que também terá duração de três meses e será realizado em grupos de cinco ou seis pacientes, separados por solo e água.

“Eles passarão por um teste ergométrico preliminar, conduzido por médicos envolvidos no projeto, para garantir a segurança da participação no tratamento. Serão realizados exames de sangue solicitados pelo cardiologista, além de todos os testes da fisioterapia. Ao final, será feita uma reavaliação, e os adolescentes receberão um relatório para qualquer encaminhamento necessário”, garantiu Josiane Felcar.

MAIS INFORMAÇÕES

Interessados no projeto voltado aos adolescentes com cardiopatia podem obter mais informações pelo telefone (43) 99961-2602.

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