Projeto de Psicologia da UEL atende profissionais de hospital
Atendimento no Hospital Zona Sul abrange psicoterapia individual, ações coletivas em grupo e atividades de arte e expressão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de maio de 2025
Atendimento no Hospital Zona Sul abrange psicoterapia individual, ações coletivas em grupo e atividades de arte e expressão
Reportagem local 

A crescente demanda por apoio psicológico entre profissionais da saúde, intensificada no período pós-pandemia de Covid-19, motivou docentes e estudantes do curso de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) a criarem o projeto de extensão “Promoção de Saúde e Suporte Psicológico com Trabalhadores do Município de Londrina”. A ação atende, desde 2023, profissionais que atuam no Hospital Eulalino Ignácio de Andrade, o Hospital Zona Sul.
O projeto nasceu como uma atividade avaliativa da disciplina de Políticas Públicas, ministrada pela professora Alejandra Astrid Leon Cedeno, do Departamento de Psicologia Social e Institucional, e desenvolveu-se a partir de um convite feito pela direção do hospital.
O Hospital Zona Sul enfrentava altos índices de afastamento de trabalhadores por problemas psicológicos e buscava apoio técnico para cuidar da saúde mental de sua equipe. A partir disso, o projeto estruturou-se em três frentes: psicoterapia breve individual; ações coletivas em grupo; atividades de arte e expressão no contexto hospitalar.
ESPAÇO DE ESCUTA
Gabriela Sardagna, estudante que participou da implantação da proposta, relata que as quatro pacientes que acompanhou demonstraram melhora significativa. "Algumas relataram redução de crises de choro, mais calma e confiança para lidar com situações difíceis da rotina”, afirma. “Conseguimos oferecer um espaço de escuta e acolhimento dentro do hospital, algo raro para quem trabalha nesses contextos.”
Os atendimentos individuais seguem a metodologia da psicoterapia breve, fundamentada na escuta clínica direcionada a queixas pontuais. As sessões são realizadas semanalmente, em até 12 encontros, em espaço cedido pelo hospital. “A ideia era que a escuta tivesse começo, meio e fim, já que havia uma fila de espera extensa e não era possível acolher todos os trabalhadores em terapias prolongadas. Ainda assim, os resultados foram muito positivos”, diz Gabriela.
Matheus Florio, também estudante de Psicologia, destaca o impacto estrutural do projeto. “Estivemos desde o início dialogando com a administração e os próprios trabalhadores para entender suas necessidades. A proposta sempre foi levar mais vida ao hospital, que opera num modelo biomédico rígido e nem sempre considera o adoecimento psíquico dos profissionais.” Para ele, o projeto ajudou a trazer leveza para esses profissionais que estão inseridos em um cenário pesado, que lida com a saúde e doença, vida e morte.
PROMOÇÃO DO BEM-ESTAR
O projeto de extensão também está alinhado às diretrizes de um grupo de trabalho sobre saúde mental criado pelo Ministério Público de Londrina, após a pandemia de Covid-19.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam um aumento de 25% nos casos de sofrimento psíquico intenso no mundo, o que reforça a urgência de ações como essa.
Além do atendimento clínico, os estudantes participantes recebem supervisão contínua da professora Meyre Eiras, que orienta os processos a partir da abordagem.
Atualmente, a proposta segue em desenvolvimento, agindo na promoção de bem-estar dos profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado da saúde física da comunidade, mas que, muitas vezes, não percebem os sinais do próprio adoecimento psicológico. O projeto continua se consolidando e evidenciando a relevância de seu impacto na vida desses trabalhadores da saúde.
(Com informações da Agência UEL)

