O Paraná registra cerca de 130 mil nascimentos por ano, com estimativa de que aproximadamente 1.200 bebês apresentam cardiopatia congênita, dos quais perto de 400 necessitam de cirurgia ainda no período neonatal. Diante de um cenário de alta demanda e para garantir um melhor cuidado, o Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, desenvolveu o projeto Bate-Bate Coração. A primeira parceria dessa iniciativa, firmada com a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), leva diagnóstico a mais pacientes por meio da telemedicina.

Com foco na redução da mortalidade neonatal e morbidade infantil especialmente por cardiopatias congênitas, o projeto conecta UTIs neonatais regionais ao Pequeno Príncipe por meio da telemedicina pediátrica.

Cinco hospitais da rede estadual participam da primeira fase do projeto: o Hospital Regional do Norte Pioneiro (Santo Antônio da Platina), o Hospital Norospar (Umuarama), a Santa Casa de Paranavaí, a Santa Casa de Irati e o Hospital Regional do Sudoeste Walter Alberto Pecotis (Francisco Beltrão).

O objetivo é acelerar o diagnóstico e o cuidado dos bebês cardiopatas, promovendo uma resposta rápida, integrada e eficaz na rede de saúde. A detecção ainda na gestação, a escolha do local do parto e o cuidado pós-natal são etapas essenciais, segundo o cardiologista Cassio Fon Ben Sum, diretor-técnico do hospital.

“Estamos contribuindo para que as unidades de saúde do estado estejam preparadas para o atendimento e conectadas para efetivar o melhor desfecho clínico de cada caso. Como cardiologista pediátrico, esse projeto que dá chance de vida a esses bebês, é vencedor ”, explica.

Desafio de saúde pública

No Paraná, as cardiopatias congênitas representam um desafio relevante de saúde pública. Entre 2015 e 2024, essas condições estiveram associadas a 9,7% das mortes de crianças menores de 1 ano, demonstrando a importância de estratégias estruturadas para diagnóstico e tratamento precoce.

“O impacto da iniciativa se insere em um cenário de alta demanda, e o projeto Bate-Bate Coração foi desenvolvido para oferecer suporte remoto a uma parcela desses casos, promovendo um cuidado mais ágil, seguro e recebendo apoio institucional e financeiro da Sesa”, diz o diretor-corporativo do Complexo Pequeno Príncipe, José Álvaro Carneiro.

O projeto foi lançado nesta semana pelo secretário de estado da Saúde, Beto Preto, durante o encontro Saúde em Movimento. “O projeto busca fortalecer a regionalização da assistência e o uso inteligente da tecnologia para ampliar o acesso a um atendimento especializado, humanizado e resolutivo. Já foram destinados R$ 3 milhões para cinco hospitais, mas a iniciativa será ampliada para outras instituições. Estamos investindo para que os bebês cardiopatas sejam atendidos com mais rapidez, segurança e qualidade em qualquer região do Paraná”, afirmou o secretário.

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Como funciona o projeto

Com foco na redução da mortalidade neonatal e morbidade infantil especialmente por cardiopatias congênitas, o projeto Bate-Bate Coração conecta UTIs neonatais regionais ao Hospital Pequeno Príncipe por meio da telemedicina pediátrica. A iniciativa inclui:

- construção de uma linha de cuidado ao cardiopata congênito;

- interação em tempo real entre as equipes locais e os especialistas do Hospital;

- compartilhamento seguro de exames e imagens entre hospitais;

- sala de situação dedicada à teleconsultoria no Pequeno Príncipe;

- capacitação de profissionais locais e implementação de protocolos clínicos.

As teleconsultorias no Paraná começaram no segundo semestre de 2025 e, em poucos meses, essas ações já apresentaram resultados relevantes. Até o momento, foram mais de 700 discussões de casos clínicos, envolvendo a avaliação de 205 recém-nascidos e a participação de 49 profissionais das unidades hospitalares que integram a iniciativa. Nesse período, 32 pacientes foram diagnosticados com cardiopatia; desses, quatro precisaram ser transferidos.

O que são cardiopatias congênitas?

A cardiopatia congênita é uma alteração no coração que surge ainda durante a formação do feto, podendo ser leve, moderada ou grave. No cenário nacional, cerca de 30 mil crianças nascem com essa condição todos os anos. E 90% dos casos ocorrem sem fator de risco conhecido, o que evidencia a relevância do diagnóstico precoce, segundo o Ministério da Saúde.

Além disso, as cardiopatias congênitas estão entre as principais causas de falecimento na infância, sendo a terceira maior razão de óbito neonatal. Contudo, o diagnóstico pode ser feito ainda na gestação, por meio do ecocardiograma fetal — exame que avalia o funcionamento do coração do bebê.

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. | Foto: JaCZhou/Getty Images

Com a sanção da Lei 14.598/2023, exames como o ecocardiograma fetal e a ultrassonografia especializada agora são garantidos pelo SUS. Essa conquista fortalece o diagnóstico precoce e o acesso à saúde de qualidade para milhares de famílias brasileiras.

Sinais de alerta

Após o nascimento, o teste do coraçãozinho, realizado entre 24 horas e 48 horas de vida, também é essencial para detectar possíveis alterações cardíacas graves. Portanto, fique atento aos sinais de que o coração precisa de cuidados.

Em bebê: pontas dos dedos e/ou língua roxas; transpiração e cansaço excessivos durante as mamadas; respiração acelerada enquanto descansa; dificuldade em ganhar peso; e irritação frequente e choro sem consolo.

Em criança: cansaço excessivo durante a prática de atividades físicas; crescimento e ganho de peso de forma não adequada; infecções pulmonares repetitivas, lábios roxos e pele mais pálida quando brinca muito; coração com ritmo acelerado; e desmaio.

Reconhecido nacionalmente, o Hospital Pequeno Príncipe é um dos mais importantes centros brasileiros de cardiologia pediátrica. E é referência no diagnóstico e tratamento de cardiopatias congênitas.

(Com informações do Pequeno Príncipe)

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