A representação política de Londrina enquanto cidade de oposição apresentou suas contradições ao longo da história. A doutora em ciência política, Ana Cleide Chiarotti Cesário, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), debruçou-se sobre o assunto horas, dias e meses para defender a tese ''Poder e partidos políticos numa cidade média brasileira Um estudo de poder local, Londrina 1934-1979'', na Universidade de São Paulo (USP), em 1986.
O trabalho da doutora mostra que, durante o Estado Novo do presidente Getúlio Vargas, Londrina apresentava uma política situacionista. Além de ser prefeito, Willie Davids detinha boa parte das decisões importantes da cidade, porque era diretor técnico da Companhia de Terras Norte do Paraná que fez todo o plano urbano de Londrina, bem como da ocupação da região. Davids era alinhado à administração estadual de Manoel Ribas.
Em 1945, emergiu em Londrina um movimento forte contra Getúlio Vargas. Neste momento, conforme Ana Cleide, começou a surgir o mito de que Londrina era de oposição. Foi criada uma frente contra Getúlio Vargas reunindo tendências políticas diferentes, como os embriões da UDN e PSD e também o PC. ''Eles queriam a redemocratização do País'', explica Ana Cleide.
Com a queda do Estado Novo em 1946, inicia-se a hegemonia da UDN em Londrina. De 1946 a 1965, a sigla encabeça o movimento de oposição contra Getúlio Vargas e, no Paraná, ao PSD e ao governador Moysés Lupion.
Durante a ditadura militar, Londrina teve uma expressiva projeção nacional. Segundo Ana Cleide, três fatores foram importantes para a forte representação política de Londrina no cenário nacional e estadual no período de 1965 a 1979. Foram eles o bipartidarismo, o sistema político que assume características plebiscitárias, e a transformação de Londrina em foco político estadual, já que em Curitiba não havia eleições diretas para prefeito e governador, pelo fato de ser capital. Na época, todas as capitais brasileiras e as cidades consideradas áreas de segurança nacional, como por exemplo Foz de Iguaçu, estavam proibidas de realizar eleições diretas pela ditadura militar.
De 1979 a 2003, a grande projeção política de Londrina declinou por conta de outros três fatores importantes. Segundo Ana Cleide, a transformação do bipartidarismo em um sistema político multipartidário; o desenvolvimento de outras regiões do Paraná, a exemplo do Sudoeste; e o fortalecimento da região metropolitana de Curitiba, contribuíram para o desvanecimento da força londrinense no cenário político.
Porém, a doutora acredita que, se por um lado, Londrina se assemelha politicamente hoje com qualquer cidade média brasileira, por outro, o eleitorado daqui tem dado sinais de que é predisposto a grandes viragens ou de antecipar mudanças político-partidárias. Uma demonstração disto foram as eleições de dois prefeitos petistas antes da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República.

mockup