''Eu vejo sua blusa, seu pescoço e uma parte do seu nariz. Seus olhos e a sua cabeça eu não consigo ver e só volto a enxergar a parede da sala que está acima da sua cabeça''. Esta foi a resposta da professora Simone Luccas, 43 anos, quando questionada sobre a maneira que enxergava. Ela descobriu que tinha glaucoma aos 27 anos e desde então convive com colírios e faz acompanhamento médico frequentemente.
A parte da visão que foi destruída pelo glaucoma aparece como uma faixa cinza para Simone. Para ela, receber o diagnóstico da doença foi como uma sentença de morte. ''No início eu achei que ficaria cega em pouco tempo, tenho uma amiga cega e ela me disse para aprender braile. Fiquei desesperada'', conta. Ela lembra que o diagnóstico trouxe uma vontade enorme de manter os olhos abertos, dormir menos e ver tudo o que estivesse à sua frente. ''Eu queria ver todos os filmes, ir a vários lugares, observar as pessoas... hoje estou lidando melhor com esta questão'', acrescenta.
Há cerca de três meses, Simone passou por uma cirurgia no olho direito porque o colírio já não estava mais fazendo efeito. ''Perdi parte da visão deste olho e optamos pela cirurgia para evitar que os danos continuassem'', conta. Ela sabe que provavelmente terá que operar também o olho esquerdo.
A professora ressalta que o diagnóstico foi tão traumatizante que ela decidiu não ter filhos. ''Não sei se a doença está nos genes do meu pai ou da minha mãe, por isso alertei toda a família para que todos façam os exames com regularidade'', afirma. Ela recomenda que as pessoas façam acompanhamento com oftalmologista. ''Quem não passa por isso não tem noção do quanto é relevante fazer os exames que ajudam a diagnosticar o glaucoma''. (M.A.)

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