Problema também atinge os homens
Ao contrário de muitas mulheres, os homens costumam procurar o médico a partir dos primeiros sinais de incontinência urinária. Essa é uma afirmação dada pelo urologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e do Sírio-Libanês, Cristiano Gomes.
Para esclarecer algumas questões, ele explica que incontinência masculina pode ser dividida em dois tipos: aquela que ocorre em homens que sofreram uma cirurgia na próstata e a de urgência (bexiga hiperativa).
"A cirurgia de prostatectomia pode afetar o funcionamento do esfíncter, músculo responsável pelo controle da urina e que envolve a uretra. Para ter uma ideia, quase todos os homens ficam perdendo urina nos primeiros meses após a cirurgia, mas aos poucos a maioria vai ficando continente novamente, isto é, recupera a capacidade de conter urina", completa.
Cerca de 10% a 15% dos indivíduos ficarão com incontinência duradoura e nesses casos há indicação cirúrgica para corrigir o problema, seja para implantação de um esfíncter artificial (casos moderados a graves) ou as cirurgias de sling, onde se coloca uma faixa sob a uretra de modo a comprimi-la.
Entretanto, a bexiga hiperativa, condição clínica caracterizada pela urgência e frequência urinária, é a mais comum entre o sexo masculino, acometendo em torno de 30% dos homens acima dos 70 anos.
"Ela vai aumentando com a idade e tem como principais fatores de risco o envelhecimento e a presença de doenças neurológicas, como por exemplo, parkinson, esclerose múltipla, doenças que acometem a medula óssea, ou mesmo, histórico de AVC", aponta.
De acordo com o especialista, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não reconhece a incontinência urinária masculina como uma condição que precisa ser tratada. "Os dois tratamentos cirúrgicos hoje são cobertos apenas pela saúde suplementar", conclui. (M.O.)




