Reconhecida como inimiga do coração, a hipertensão é um perigo também para outras áreas do organismo altamente vascularizadas, como cérebro, rins e até mesmo os olhos. Assim, se a associação entre a pressão alta e o risco de enfarte já é bem compreendida por muitos pacientes, nem sempre fica claro que o problema pode levar também à cegueira e provocar quadros de demência ou falência renal.
No cérebro, a pressão alta causa lesões que vão destruindo os neurônios. "O sangue fornece o oxigênio essencial para o funcionamento do cérebro e a diminuição do fluxo pode causar a demência vascular, que é a segunda forma mais comum de demência", explica o cardiologista Marcus Bolivar Malachias, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e presidente eleito da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Os olhos também podem ser severamente prejudicados em pacientes hipertensos. "As artérias que irrigam a retina podem sofrer alterações em decorrência da hipertensão crônica. Com o passar do tempo, ou em casos de elevação repentina da pressão arterial, podem ocorrer hemorragias, com perda da acuidade visual e até mesmo cegueira", complementa Malachias.
Já as artérias renais, quando afetadas pela pressão alta, podem levar a uma perda progressiva da função excretora do órgão. "Conforme os vasos renais são danificados, surgem alterações na capacidade de excretar o excedente do que deveria ser eliminado. Por outro lado, se os rins não eliminarem o excedente, este pode contribuir ainda mais para o aumento da pressão", esclarece o cardiologista.
A hipertensão, em geral, obriga o coração a trabalhar em constante sobrecarga, o que conduz a um espessamento de suas paredes em grande parte dos pacientes. "A hipertrofia ventricular, como é conhecida essa alteração, aumenta o risco da ocorrência de um enfarte ou de insuficiência cardíaca", ressalta Malachias. O grande problema, enfatiza o médico, é que poucos hipertensos tratam a doença adequadamente.

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