População desconhece riscos da hepatite C
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local <br> 
Responsável por ser a quinta causa de câncer no mundo, o câncer de fígado pode surgir em decorrência de doenças ligadas a este órgão, como os vários tipos de hepatite - patologia que atinge cerca de 1,5 milhão de brasileiros. Principalmente em relação à hepatite C, uma das mais agressivas e responsável por 50% dos diagnósticos de cirrose hepática no Brasil, especialistas afirmam que a maioria das pessoas desconhece seus riscos, formas de contágio e de prevenção. Preocupados com esta realidade, a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e Instituto Datafolha - em parceria com a MSD - realizaram uma pesquisa com pessoas de 11 cidades brasileiras. O resultado mostra que a maioria das pessoas desconhece a gravidade da doença.
Os dados foram divulgados recentemente durante o XXI Congresso Brasileiro de Hepatologia, em Salvador (BA). Segundo a pesquisa, 51% das pessoas não sabem dizer espontaneamente o que é hepatite C e, pelo menos, 86% consideram que o grau de desconhecimento sobre a doença é grande.
''Atualmente existem 170 milhões de portadores da hepatite C no mundo, sendo 1,5 milhão no Brasil. É praticamente uma pandemia mundial. É importante que as pessoas fiquem atentas porque é uma doença silenciosa que manifesta sintomas somente em fase avançada'', alerta o hepatologista Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.
Ao todo foram entrevistados 1.137 homens e mulheres acima de 18 anos de idade de todas as classes sociais. De acordo com o médico, a cada quatro pessoas infectadas com o vírus C, apenas uma consegue se curar e as outras três passam a desenvolver hepatite crônica, quando a doença permanece por muitos anos no organismo e não é tratada. ''As hepatites virais são negligenciadas. Somente no ano 2000 tivemos as primeiras diretrizes sobre a doença. Sua forma de contágio ocorre, principalmente, por meio de drogas injetáveis, materiais de manicure não esterilizados, tatuagens, tratamento dentário e relação sexual, mas a grande maioria das pessoas ainda confunde os tipos de hepatite'', aponta o médico.
Ainda segundo Raymundo Paraná, a maioria das pessoas nem sabe que a hepatite C pode cusar câncer de fígado e desconhece que ainda não existe vacina para combater a patologia. ''O que ocorre no organismo de uma pessoa que tem a hepatite C é parecido com o que ocorre com o vírus HIV (AIDS). O vírus sofre uma mutação e vai causando deteriorização no sistema imune'', explica.
Tratamento
A hepatite C é uma doença que não apresenta sintomas. Em 80% dos casos, torna-se crônica, podendo evoluir para cirrose e câncer de fígado. A qualidade de vida do paciente é bastante afetada e o tratamento geralmente produz efeitos colaterais como irritabilidade, depressão, entre outros. Ao contrário do que muitos acreditam, o portador de hepatite C não apresenta a pele amarelada, mais comum nas outras hepatites. ''A doença tem cura e o tratamento é limitado. O paciente elimina o vírus e pode se recuperar totalmente. O índice de mortalidade no mundo é de 15% a 30% da população anualmente'', enfatiza Paraná.
Até o final deste ano, pacientes com hepatite C contarão com uma nova opção de medicamento. Fabricado pela MSD, o Boceprevir é o primeiro inibidor de protease para o tratamento da doença e já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância (Anvisa) para ser comercializado.
- A jornalista viajou a Salvador a convite da MSD.

