Comunidade society
Ao chegar aos 69 anos, Londrina não consolidou o que se poderia chamar de uma comunidade society tradicional. Em outras palavras, um segmento social consolidado. E parece que, se isso vier a ocorrer, não há um vislumbre de quando. Porque 69 anos já teriam bastado para separar, no conjunto do grupo social, um agrupamento qualificado como a ''fina flor'' da sociedaede londrinense.
Em algumas cidades centenárias do Brasil, o society formou-se, entre outros extratos, de pessoas que se perpetuaram pela tradição de avós para pais e de pais para filhos, mas que têm pouca representatividade no universo das grandes decisões.
Em Londrina, se nem todos os integrantes da denominada classe produtiva figuram nos quadros da corporação society, é certo que seus membros mais influentes ocupam posição de liderança nos negócios, em toda a sua diversidade.
Aqui não se costuma perguntar a uma pessoa de qual família pertence, mas o que faz. Nomes de famílias valem pela antiguidade, pelo pioneirismo, mas não são um peso expressivo que contabiliza pontos para os descendentes se eles não derem continuidade à obra de seus antepassados. Londrina exalta, mas é também cobradora quanto a esse aspecto. Cada qual deverá valer pelo que faz, não pelo lastro de um nome.
E nomes tradicionais não faltam. E também não faltam a eles os louvores. Mas quem for chegando tem de dizer por que chegou. Não que isto caracteriza uma regra rígida, mas é assim que naturalmente funciona. Sem um atributo próprio, as pessoas aqui não constituem notícia para as colunas sociais. E é certo que colunismo não contempla ninguém pelo simples atributo de uma herança familiar. Mas a sociedade, no seu sentido genérico, parece apreciar isso.
A civilização londrinense cresceu alicerçada nos ideais de prosperidade e por isso valorizou o trabalho, a obra, a realização. O que a pessoa faz conta muito por aqui, e não necessariamente os laços de família, eles por si sós e nada mais.
O society deve ser gente fazendo, ou não será society. Mas entende-se que o atributo, como já dissemos, não é apenas este. Há que se reunir requisitos como elegância no ser, finura no trato, delicadeza, bom gosto, desempenhar a arte de bem receber e afins. O colunismo social, sustentador e nivelador deste padrão, é atento a esses detalhes. Porque é do princípio do jornalismo social. Ou não haveria necessidade de ele existir.

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