A chegada das estações mais frias do ano são sempre acompanhadas de uma preocupação adicional com a saúde. Principalmente com crianças e idosos, grupos de maior risco para as doenças respiratórias.

Essa precaução existe porque muitas doenças se disseminam com mais facilidade no outono e no inverno e porque as estatísticas sobre internações e mortes no país são alarmantes, em especial da pneumonia, a segunda infecção respiratória mais frequente entre os brasileiros.

Um levantamento da PAHO (Pan American Health Organization) revela que a pneumonia é a quarta causa de mortalidade entre adultos no Brasil. Outros estudos mostram ainda que somente no Brasil, Argentina e Chile há mais de dois milhões de casos da doença por ano.

Um cenário ainda mais preocupante e recente, é o aumento do número de casos de pneumonia causados pela cepa 19A, uma linhagem resistente a antibióticos, o que implica na ineficácia do tratamento. Esse fenômeno já foi identificado também nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália.

Isso se deve ao uso amplo e inadequado de antibióticos, que leva a bactéria pneumococo - que causa várias doenças, como otite, sinusite, pneumonia e meningite - a sofrer mutações genéticas. Diante desse fenômeno, as formas de prevenção se tornam cada vez mais relevantes.

É importante adotar hábitos saudáveis e de higiene, evitar ambientes aglomerados sem ventilação, proteger-se quanto às oscilações de temperatura e estar em dia com as vacinas. Como em crianças, a imunização é mais frequente, a grande preocupação tem sido a população adulta, em especial os idosos.

PROTEÇÃO
"Para essa faixa etária, a vacinação desempenha uma função estratégica, uma vez que protege o indivíduo que já apresenta um sistema imunológico mais suscetível a essa enfermidade, em função da idade avançada e de eventuais comorbidades, como hipertensão, diabete e cardiopatias", diz Lessandra Michelim, presidente da Sociedade Rio-grandense de Infectologia e professora da Universidade de Caxias do Sul.

Ela explica que ao "entrar" no organismo, a vacina impulsiona a produção de anticorpos (células T) e algumas delas, também estimulam as células de memória, como é o caso da Prevenar 13 (nome comercial da vacina pneumocócica 13-valente conjugada).

Ela oferece proteção contra o sorotipo 19A, além de outras 12 cepas que estão entre as mais prevalentes em todo o mundo. "Aplicando uma vez a vacina no adulto, ele já fica com memória para o resto da vida e portanto, não precisa vacinar todo ano", afirma.

O calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda aos idosos, as vacinas Pneumocócicas (VPC13) e a Pneumocócica 23 valente (VPP23). Quem já recebeu a VPP23, deve ter um intervalo de cinco anos para a aplicação da segunda dose e de um ano para a aplicação de VPC13.

Já no Calendário de Vacinação do Adulto e do Idoso do Ministério da Saúde há a indicação - e distribuição - da VPP23, com dose única durante a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso, nos indivíduos de 60 anos e mais que vivem em instituições fechadas como casas geriátricas, hospitais, asilos e casas de repouso.

Segundo Wilson Liuti Costa Junior, infectologista responsável técnico da Clínica de Vacinas da Unimed, em Londrina, a vacina Pneumocócica 23 valente é mais antiga, mas pouco imunogênica. "A duração é curta, de apenas 5 anos. Já a 13-valente é conjugada e portanto, tem a capacidade de manter a proteção a longo prazo", ressalta.

A Prevenar 13 é produzida pela Pfizer e teve em 2013, a aprovação da Anvisa para uso em adultos com 50 anos ou mais, em mais de 90 países. Para crianças até seis anos incompletos, a imunização já era indicada.

EFICÁCIA
Um estudo de eficácia da Prevenar 13 foi realizado em adultos, envolvendo 85 mil indivíduos de 65 anos ou mais, recrutados em mais de 160 locais de estudo. Parte do grupo tomou uma dose da vacina e o restante recebeu placebo.

O trabalho apontou que nos vacinados houve uma redução de 45,6% nos episódios iniciais de pneumonia causada por um dos 13 sorotipos de pneumococo que podem ser evitados por meio da imunização.

O estudo foi divulgado há poucas semanas pelo The New England Journal of Medicine e realizado em colaboração com o grupo Julius Clinical e o Centro Médico Universitário de Utrecht, na Holanda.

A repórter viajou para São Paulo a convite da Pfizer

Imagem ilustrativa da imagem Pneumonia: a vilã do inverno tem prevenção
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