Pílula promete agir como refeição imaginária
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Quem nunca imaginou ter um remédio que ajudasse a emagrecer e não fizesse mal à saúde? É bem provável que a maioria das pessoas responderia positivamente. Pois essa é a notícia que está circulando em todo o mundo e, claro, chamando a atenção de muita gente.
Pesquisadores americanos do Instituto Salk para Estudos Biológicos criaram um composto chamado fexaramine, que "engana o corpo". A "fórmula" funciona como se a pessoa, ao ingerir a pílula, tivesse consumido calorias e, com isso, o organismo irá queimar gorduras. Além disso, os cientistas apostam em outros benefícios como conter o ganho de peso, reduzir o colesterol e ainda controlar o açúcar no sangue e as inflamações.
Mas vamos com calma, já que a tal pílula "milagrosa" ainda requer mais testes, inclusive em humanos. Esses primeiros resultados foram constatados em camundongos e a descoberta foi publicada no início do mês na revista Nature Medicine.
Segundo Ronald Evans, diretor do Laboratório de Expressão Genética de Salk, nos Estados Unidos, e autor sênior do novo estudo, "a pílula é como uma refeição imaginária. Ela envia os mesmos sinais que normalmente acontecem quando você come um monte de comida, de modo que o corpo começa a limpeza de espaço para armazená-la. Mas não há calorias e nem alterações no apetite".
De acordo com os pesquisadores, esta nova pílula não se dissolve no sangue como os inibidores de apetite ou medicamentos para emagrecer à base de cafeína, mas permanece nos intestinos, reduzindo os efeitos colaterais.
Nos testes, os camundongos receberam uma pílula diária de fexaramine por cinco semanas. Os roedores deixaram de ganhar peso, perderam gorduras e apresentaram níveis mais baixos colesterol e de açúcar no sangue, em comparação com os não tratados. Além disso, tiveram um aumento da temperatura do corpo, indicando uma aceleração do metabolismo.
De acordo com Evans, a ação do fexaramine no intestino funciona melhor porque tem relação com a ordem natural em que as vias moleculares do corpo normalmente respondem a uma refeição. "A resposta do corpo a uma refeição é como uma corrida de revezamento. Se você dizer a todos os corredores para ir ao mesmo tempo, você nunca irá passar o bastão. Aprendemos como acionar o primeiro corredor a fim de que o resto dos eventos aconteçam em uma ordem natural", diz.
Para o endocrinologista Walmir Coutinho, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) a descoberta é muito promissora porque abre uma nova perspectiva para o tratamento da obesidade. Só no Brasil, cerca de 17% da população é obesa e 50% está com sobrepeso.
Segundo ele, um aspecto interessante da nova droga é a ação exclusiva no intestino, o que traz uma boa segurança para a saúde como um todo. Ele ainda cita que no País não há um medicamento que tenha um mecanismo de ação semelhante.
"Temos aprovado por exemplo, o orlistat que bloqueia a absorção de 30% da gordura ingerida, mas essa é a primeira vez que se fala de um remédio que estimula diretamente a queima de gordura e atua somente no receptor intestinal", acrescenta.

