São Paulo - Especulações infundadas que contrariam as bases elementares científicas, como aquelas que relacionam as vacinas à ocorrência de doenças autoimunes, degenerativas, retardo mental, alergias e até gravidez indesejada, representam um desafio para órgãos e profissionais de saúde. O trabalho de credibilidade construído por décadas está sob a ameaça da mídia sensacionalista e das fake news que circulam livremente pelas redes sociais. "São ações de pessoas de má-fé e ignorância, realmente dotadas de um raciocínio ilógico. São pessoas que têm acesso à informação, é a classe A estudada, mas que acredita piamente nessas informações", disse a médica infectologista e membro da Sociedade Latino-Americana de Infectologia Pediátrica, Mônica Levi.

Quando a ciência refuta cada um dos argumentos disseminados nessa teia de desinformação, parte-se para teorias conspiratórias envolvendo laboratórios, governos, capital estrangeiro. Para Levi, a fonte das fake news são pessoas fanáticas, mancomunadas para explorar "a boa fé das famílias brasileiras" e está aí a maior dificuldade de agir para derrubar as falsas teorias. "O importante é a gente saber recomendar fontes seguras de informações."

Para os leigos em busca de informações confiáveis sobre imunização, Levi recomenda pesquisar os portais do Ministério da Saúde (www.portalms.saude.gov.br) e da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), que mantém o Família SBIm, considerado uma enciclopédia de vacina, escrito em linguagem acessível (www.sbim.org.br/familia). "As fake news causam um prejuízo na credibilidade muito grande e a gente precisa saber lidar com rapidez para a gente desmistificar cada uma delas, o que é uma tarefa muito difícil porque nem sempre a gente está no mesmo tempo." (S.S.)

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