O cenário de discussão vem favorecendo cada vez mais o surgimento de mais pesquisas que demonstrem a eficiência do componente. No momento, a Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto está em busca de voluntários para um estudo que vai avaliar o efeito do canabidiol (CBD) no padrão de sono.
Um dos pontos é descobrir, por exemplo, se a substância mantém os níveis de relaxamento durante a noite. A USP já realizou também estudos que demonstraram eficácia na doença de Parkinson, esquizofrenia e transtorno de ansiedade, que também foi tema de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2008.
O trabalho feito em laboratório com ratos submetidos a um trauma revelou que o CBD pode ajudar no tratamento de quem sofre de ansiedade provocada por uma experiência traumática, como em casos de pessoas que são assaltadas em uma determinada rua e ficam com medo sempre que precisam passar novamente pelo mesmo local.
Em uma perspectiva terapêutica, a maneira mais eficaz de reduzir o medo em animais de laboratório consiste em realizar sucessivas reexposições ao ambiente de condicionamento, fazendo com que eles se adaptem à situação e reaprendam que aquele ambiente deixou de ser ameaçador.
"Em humanos, esse tratamento é chamado de terapia de exposição e nossos estudos demonstraram que o canabidiol pode facilitar este processo de reaprendizado emocional, tornando a exposição terapêutica muito mais eficiente e com efeitos prolongados. Isso quer dizer que esta substância poderia ser utilizada juntamente com tratamentos psicológicos ajudando a atenuar traumas", afirma o professor titular do Departamento de Farmacologia da UFSC, Reinaldo Takahashi.
Ele se dedica às pesquisas dos principais constituintes da Cannabis em modelos experimentais, desde o final da década de 1970, ainda na antiga Escola Paulista de Medicina, atual Unifesp. Segundo ele, nessa época já se conhecia a propriedade do CBD de interagir com o outro constituinte ativo da maconha, o THC, e de alguns efeitos comportamentais como ação anticonvulsivante, ansiolítica e antipsicótica.
"Pesquisas recentes, inclusive em humanos estão confirmando principalmente a propriedade ansiolítica do CBD, mas muitos outros efeitos, como a ação anticonvulsivante, têm sido observados. Vale destacar a atual divulgação da medicação ‘Sativex’, uma associação do THC e CBD que está sendo promissora para o tratamento de dor crônica na esclerose múltipla", revela.
E apesar do debate e das controvérsias que permeiam o uso da Cannabis, Takahashi acredita que medicamentos fundamentados em drogas que aumentam a função dos endocanabinoides podem oferecer novas abordagens terapêuticas em um futuro que ele espera não ser muito distante. (M.O.)

mockup