Pesquisa traça perfil de hipertensos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de janeiro de 2012
Fernanda Borges <br> Reportagem Local <br> 
Uma pesquisa articulada pela Sociedade Europeia de Hipertensão e pela Sociedade Americana de Hipertensão revela informações importantes sobre o perfil comportamental de pacientes com hipertensão arterial resistente ao tratamento. Realizada com mais de 4,5 mil pacientes do mundo todo e pelo menos 600 brasileiros, a campanha Power Over Pressure - Vencendo a Pressão, tem caráter contínuo e pretende alertar comunidade médica e pacientes para o controle mais adequado da pressão, além da importância do uso correto das medicações.
Atualmente, 100 milhões de pessoas apresentam resistência aos tratamentos e a pesquisa apontou que os pacientes brasileiros demandam novas opções de tratamento. De acordo com o diretor da Unidade de Hipertensão do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, Luiz Bortolotto, a pesquisa ajuda a enfrentar desafios de saúde pública para atender pacientes proporcionando melhores resultados em seus tratamentos.
''A hipertensão resistente é definida como a forma de doença na qual o paciente não consegue obter valores abaixo de 140/90 mmHg (ou 14 por 9) apesar de estar tomando adequadamente três tipos de medicações para o controle da pressão, incluindo um diurético. A melhor maneira de tratar estes pacientes é reconhecer o porquê destes não responderem ao tratamento, investigando se há consumo excessivo de sal, obesidade, uso de medicações concomitantes que aumentam a pressão como antiinflamatórios, ou algumas causas como doença renal e apnéia do sono'', explica Bortolotto.
Segundo o médico, também é importante escolher uma combinação de medicamentos mais efetiva, e utilizar opções corretas de medicamentos, além dos já em uso. Ele ressalta também que para aqueles com mais dificuldade de controle da pressão arterial, novas formas de tratamento ainda em estudo poderão ser utilizadas.
''A prevalência de hipertensão no Brasil gira em torno de 30% da população adulta. É a doença com o principal fator relacionado às principais causas de morte no Brasil, como o acidente vascular cerebral (derrame) e o infarto do miocárdio. Além disso, a hipertensão é uma das principais causas de internação por doença vascular, sobretudo em idosos'', alerta Bortolotto.
Estatísticas
Apoiada pela Medtronic, a pesquisa apontou que as pessoas no Brasil com hipertensão resistente ao tratamento são preocupadas com a sua saúde em geral. Mais de dois terços (67%) dos entrevistados descrevem a sua saúde como ''regular ou ruim'', apesar do fato de a maioria dos pacientes afirmar que está sob os cuidados de um clínico geral (72 %) ou de um cardiologista (49%).
Ainda segundo a pesquisa, os brasileiros com essa patologia enfrentam mais desafios do que os pacientes com formas menos avançadas da doença. Eles são mais propensos a sofrer de doenças de risco como diabetes tipo 2 (11% contra 7%), doença cardíaca (21% contra 12%) e obesidade (38% contra 29%). Esse público toma diariamente uma média de quatro comprimidos de medicamentos prescritos para a pressão arterial (contra dois entre os adultos com hipertensão controlada) e muitos têm se esforçado para controlar a pressão arterial elevada por um período médio de oito anos (contra três anos para adultos com hipertensão controlada).
''A hipertensão arterial é de origem principalmente genética, com influência de vários fatores ambientais como a obesidade, o sedentarismo, o estresse e o consumo excessivo de sal e álcool. As pessoas que têm pais e avós com hipertensão devem prevenir o aparecimento da doença, adotando desde cedo hábitos saudáveis de vida, como dieta com pouco sal, atividades físicas regulares e evitando aumento de peso. Além disso, medidas regulares de pressão
em consultas médicas anuais são recomendadas a partir dos 18 anos de idade'', finaliza Luiz Bortolotto.

