O consumo diário de carboidratos e lipídeos e o envelhecimento podem estar relacionados ao surgimento do câncer. A informação foi constatada numa pesquisa realizada no laboratório de Genética Molecular da Universidade Norte do Paraná (Unopar), coordenada pelo professor Marcus Vinicius de Matos Gomes. O trabalho foi premiado no 58º Congresso Brasileiro de Genética, que aconteceu recentemente em Foz do Iguaçu.
De acordo com o professor, a pesquisa constatou que o envelhecimento e o câncer têm uma via biológica comum e que a dieta alimentar pode afetar o comportamento dos genes, podendo consequentemente acelerar o processo de envelhecimento e também o surgimento de doenças como o câncer, distúrbios neurológicos, alterações de memória, doenças reprodutivas, entre outras.
''Na pesquisa, quisemos descobrir o que acontece no organismo das pessoas idosas que favorece o aparecimento do câncer. Percebemos que existem alterações celulares que ocorrem no envelhecimento e também em alguns tipos de tumor'', afirma.
Participaram do estudo 126 idosos saudáveis, de 60 a 88 anos. Durante o trabalho foi feita uma análise nutricional dos idosos e constatado que a ingestão diária de alguns compostos estava relacionada à alteração celular.
Os testes mostraram que quanto mais carboidratos, lipídios, vitamina B6 e magnésio eles ingeriam, mais alterações no DNA das células aconteciam. Ou seja, quanto maior for o consumo diário dessas substâncias, mais rápido pode ser o processo do envelhecimento nas células.
''Existe uma teoria atual, ainda em discussão entre os cientistas, de que a restrição calórica poderia retardar o envelhecimento e isso explicaria os resultados que obtivemos'', aponta o professor. Segundo ele, a ciência já sabe que o consumo de várias substâncias pode desencadear doenças. Por exemplo, o fumo pode provocar câncer de pulmão. ''Muitas dessas evidências foram baseadas principalmente em dados epidemiológicos, estatísticos. O nosso estudo é uma confirmação biológica, baseada em análise molecular, de que essa relação entre alimento e doença realmente existe'', afirma Marcus.
''A pesquisa da Unopar é a ponta de um iceberg, precisamos aprofundar os estudos e analisar como funciona realmente esta relação entre o envelhecimento, a alimentação e o câncer''. ''O mapeamento do genoma humano nos abriu a porta para um universo novo. A partir das conclusões do nosso estudo, queremos saber agora quais são os genes mais suscetíveis a alterações causadas pela dieta?'', questiona.
''Vamos continuar pesquisando para saber porque algumas pessoas desenvolvem câncer e outras não. Também precisamos descobrir porque alguns genes são vulneáveis à dieta e outros não'', salienta o coordenador dos trabalhos.
A pesquisa levou dois anos para ser concluída, teve um investimento de mais de R$ 40 mil e a participação de três alunos de Iniciação Científica da Unopar: Leandro Toffoli, Douglas Wilton Arruda e Larissa Maria Soldera, além das professoras Rejane Dias das Neves-Souza e Audrey de Souza Marques.

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