Tornou-se cena comum encontrar crianças, das menores às maiores, usando celular, tablet ou computador. Em casa ou em outros ambientes, estes aparelhos passaram a fazer parte da rotina e muitas vezes ocupam um tempo que antes era dedicado a outras atividades, como esportivas ou educacionais. O perigo está no uso excessivo e desregrado destas ferramentas, que podem trazer problemas físicos, comportamentais e até emocionais.

Segundo o ortopedista Marco Makoto Inagaki, de Londrina, a condição inadequada do uso, tanto sentado como deitado, pode interferir na postura e causar complicações no desenvolvimento do corpo. "Isso acontece principalmente se a criança tiver alguma predisposição, como desvio na coluna. Agrava ainda mais e ocasiona o que antes não existia, como dores nas articulações, ombros, mãos, punho e tendinite", elenca. "Muitas crianças têm tendinite nos tendões do polegar, pois causa um engrossamento, e se é muito grave somente cirurgia para corrigir."

Entre os tratamentos indicados estão medicamentos e fisioterapia. "Mas o principal é diminuir o uso do celular, pois ao contrário não vai adiantar. Os pais precisam ficar atentos aos sintomas e investigar a causa, porque se demora para identificar vai agravando e fica mais difícil tratar", recomenda Inagaki. Como indicação, ao sentar a lombar deve ficar bem apoiada e quanto mais ereta estiver a cabeça melhor.

Imagem ilustrativa da imagem Perigos do excesso tecnológico



IDADE
Manual da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) confeccionado para pais, profissionais, educadores e público infantil recomenda as idades corretas para que crianças tenham acesso às telas. Para menores de dois anos é aconselhado que seja evitada ou até proibida a exposição. De dois a cinco anos o tempo deve ser de no máximo uma hora ao dia. Crianças com menos de dez anos não devem ter TV/computador no quarto para evitar que fiquem vulneráveis a conteúdos inapropriados.

"Como princípio básico, o tempo de uso não deve comprometer as atividades do cotidiano, sendo delimitado conforme o desenvolvimento cerebral, mental, cognitivo e psicossocial. Deve desencorajar a exposição passiva às telas digitais e ainda o uso na hora das refeições ou naquelas que antecedem ao sono. Os adolescentes não devem ficar isolados no quarto", aponta Maria Sylvia de Souza Vitalle, presidente do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo e vice-coordenadora do programa de pós-graduação em Educação e Saúde na Infância e Adolescência da Unifesp.

CONTEÚDO
Vitalle alerta que há risco de surgir problemas emocionais e neurológicos com o uso da tecnologia superior a quatro horas por dia. Isso acontece pois as crianças, assim como os adolescentes, estão em fase de formação. "Pesquisas mostram que o excesso se relaciona ao aumento da agressividade, sensação de solidão, baixa autoestima, depressão e obesidade. O cérebro de indivíduos superexpostos pode ter deficit no seu funcionamento, apresentando assim atrasos e dificuldades na aprendizagem e maior impulsividade."

Para o psicólogo Filipe Martin de Oliveira, a principal preocupação das famílias deve ser com o conteúdo. "Figuras e vídeos violentos ou de pessoas que falam de forma violenta e que apresentam comportamento de risco não devem ser acessados. Uma criança de sete ou oito anos, por exemplo, assiste algo sem restrição e isto pode afetar seu comportamento e a referência, pois pode copiar as atitudes. A criança não tem maturidade para diferenciar o vídeo de teatro do que é real. O mesmo acontece com a TV."

GAMES
Os games também aparecem como ameaça quando acessados de forma desenfreada. Em razão disso, a OMS (Organização Mundial da Saúde) sinalizou que irá considerar o vício em jogos eletrônicos como um transtorno mental. "Os jogos on-line, com cenas de tiroteio, morte, desastre e que ainda por cima oferecem pontuação como recompensa a estas situações são inapropriados para qualquer idade", afirma Vitalle.

A conexão com a internet, quando supervisionada e encarada com consciência, tem pontos positivos que colaboram na educação. "Existem aplicativos educacionais, que apresentam o conhecimento de palavras e podem ser utilizados na alfabetização", destaca Oliveira, que é psicólogo da Unimed Londrina. "Respeitando a fase de desenvolvimento físico e mental destes indivíduos funciona como um auxiliar precioso na aquisição de habilidades, resolução de problemas e traz benefícios em todas as áreas da literatura."

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