Mais de 700 tipos de bactérias vivem na boca, considerada a principal porta de entrada para o organismo e o começo do aparelho digestivo. O problema aparece quando algumas destas bactérias têm acesso à corrente sanguínea. Neste caso, elas podem "viajar" pelo corpo humano e se fixar na cavidade do coração, causando endocardite infecciosa. Pessoas que apresentam problemas na gengiva ou má higiene bucal possuem maiores chances de contrair a doença.
O médico cardiologista do Hospital do Coração e do Hospital Universitário de Londrina, Fábio Roston, explica que a bactéria que entra na corrente sanguínea por um ferimento na gengiva se instala nas válvulas do coração e pode causar uma infecção grave e até mesmo levar ao rompimento da válvula, provocando a morte. Mas para que isso aconteça, o paciente precisa ter predisposição.
"De modo geral, o indivíduo que apresenta endocardite já tinha um problema inicial na válvula do coração", ressalta. O cirurgião dentista Glaycon Stabile afirma que entre 25% e 40% das pessoas morrem no primeiro evento de endocardite. "Um tratamento odontológico realizado sem profilaxia pode possibilitar o acesso da bactéria à corrente sanguínea e desencadear o problema", ressalta.
Para evitar este tipo de situação, Stabile destaca que pacientes que apresentam algum problema cardíaco prévio sempre devem informar a situação ao dentista. "Indivíduos com problemas nas válvulas cardíacas, que possuem válvulas protéticas, alterações na estrutura da parede interna do coração, diabéticos, alcoólatras e aqueles que já tiveram endocardite previamente devem conversar sobre isso com o dentista", orienta.
O dentista acrescenta, porém, que ainda há vários outros fatores que podem ser relacionados ao problema. "Diante de um paciente que apresenta um risco maior de endocardite fazemos a profilaxia, que consiste na utilização de um antibiótico específico antes de iniciar o tratamento dentário", complementa. Stabile afirma que a melhor forma de prevenir é controlando os problemas bucais e fazendo acompanhamento odontológico quando necessário.
Os sintomas de quem apresenta endocardite começam com um quadro de infecção, com febre e perda de peso. Como os sintomas muitas vezes são sutis, muitas pessoas acabam buscando um médico infectologista. "O profissional pede um exame de sangue e geralmente também faz um ecocardiograma. Os resultados destes exames aliados à avaliação clínica ajudam a diagnosticar o problema", aponta o médico Fábio Roston.
No entanto, nem toda endocardite tem início na boca. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 40% dos casos têm origem bucal, mas os pacientes que ficam internados por longos períodos e são muito manipulados também possuem chance aumentada de ter esta infecção. "Qualquer tipo de infecção que tem acesso à corrente sanguínea pode afetar o coração", destaca o médico. Ele acrescenta que neste caso a prevenção é bastante difícil e cabe mais à equipe médica que está tratando o paciente.

Saiba mais
A Endocardite Infecciosa tem alto índice de mortalidade. Trata-se de uma infecção da parede interna do coração ou das válvulas do coração e uma de suas causas é a má conservação dos dentes.

O problema ocorre quando há presença de micro-organismos, como bactérias, no fluxo sanguíneo e estas encontram tecidos cardíacos danificados, ou válvulas cardíacas anormais, onde podem se multiplicar livremente, causando uma infecção.

Raramente, a doença também pode atingir pessoas com coração normal. Entretanto, se o indivíduo tem algum fator predisponente, há maior probabilidade de desenvolver Endocardite Infecciosa.

A gengiva deve ter coloração rósea claro, não sangrar quando escovar os dentes, não apresentar inchaço e ter boa aderência aos dentes. Pessoas que apresentam algum problema cardíaco devem procurar um dentista regularmente e manter boa higiene oral.

Fonte: Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp)

mockup