PERDA DE PESO - Não há milagre sem esforço
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de setembro de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local <br> 
Recente matéria publicada em revista de circulação nacional agitou consultórios médicos nas últimas semanas. A reportagem aponta o liraglutida (nome comercial Victoza) como um possível ''milagroso'' para a perda de peso. O remédio, aprovado para o tratamento de diabetes, não é indicado como emagrecedor. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nota em seu site esclarecendo a informação e alertando quanto aos riscos que o medicamento pode causar aos não-diabéticos. A reportagem da FOLHA conversou com o endocrinologista e metabologista Guilherme Marquezine, que alerta sobre os riscos de medicamentos consumidos para fins contrários aos de sua fabricação. Ele lembra que manter o peso ideal é importante para a saúde, desde que sejam adotados hábitos saudáveis.
O desejo de emagrecer rapidamente - e sem ''sacrifícios'' - cria uma oportunidade comercial grande e ainda pouco regulada. Marquezine, que também é professor da disciplina de endocrinologia na Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembra que a cada poucos meses surgem lançamentos de novas soluções ''definitivas'' para o problema por meio de remédios, dietas, shakes, entre outros.
''Os últimos (medicamentos) a serem retirados de mercado foram a até então desconhecida planta Caralluma, que era vendida sem autorização da Anvisa; o Divine Shen, um produto importado misterioso que escondia Sibutramina na sua composição; e o Rimonabanto (Acomplia), chamado oportunamente de 'pílula da barriga' e que depois se descobriu poder levar a quadros depressivos graves e até suicídio'', diz.
De acordo com ele, quando a medicação começa a ser usada por grandes populações e por muitos anos, efeitos imprevisíveis podem aflorar. ''Hoje a perspectiva para tratamento do diabetes com a liraglutida é animadora. Pode até ser que em breve a medicação seja liberada para tratamento da obesidade em não-diabéticos, mas hoje a segurança deste uso é desconhecida e, portanto, potencialmente perigosa'', aponta.
Obesidade
Com o aumento da população obesa no Brasil e em todo o mundo, a preocupação com a perda de peso também tem crescido. Para Marquezine, à medida que as pessoas aprendem e sentem que a obesidade as prejudica, é natural que busquem soluções rápidas e urgentes para o problema, mesmo que ele tenha levado muitos anos para se desenvolver. As medicações e a cirurgia bariátrica são exemplos disto.
''Pessoas com excesso de peso comprovadamente tendem a adoecer mais e a morrer mais cedo, além de terem sua qualidade de vida afetada de forma inegável. Para algumas pessoas, o problema se torna tão grave que mesmo medidas drásticas são válidas - e este é o principal argumento que justifica a cirurgia bariátrica. Por outro lado, a obesidade não 'surge' em ninguém, exceto situações muito raras'', contextualiza o médico. ''De forma geral, a pessoa que ganha peso acumulou estas calorias, uma a uma, comendo mais do que consegue consumir. Portanto, a responsabilidade de todos nós sobre nosso peso é grande, assim como é ainda maior a responsabilidade de pais e avós sobre o peso de seus filhos e netos'', reforça Marquezine.
Para finalizar, o médico orienta que o primeiro passo para aqueles que desejam emagrecer é rever a rotina com a ajuda de um profissional e identificar as causas do problema. ''Controlar o peso requer conhecimento teórico, capacidade de se organizar e determinação, todos de longa duração. Embora não seja preciso dizer adeus a tudo o que se gosta, não há dúvidas de que regras mais rígidas têm que ser seguidas. Infelizmente, ainda não temos disponível um remédio emagrecedor garantido e seguro no longo prazo, especialmente que consiga resultados sem qualquer dieta e um programa de atividade física'', afirma.

