Salgadinhos, doces, lanches, refrigerantes, batata frita. É fácil se render às tentações, em especial quando se é criança. No entanto, o hábito alimentar dos pequenos tem se tornado cada vez mais preocupante. Um mapeamento nutricional realizado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), com mais de 27 mil alunos da rede de ensino da instituição em 22 Estados brasileiros, revelou que o Paraná e Londrina seguem na contramão quando o assunto é prevenção da obesidade.
De acordo com a pesquisa, no Brasil, a taxa de excesso de peso em crianças de 3 a 15 anos incompletos caiu de 37,50%, em 2013, para 37,12% no ano passado, em um universo com 27.378 alunos. A região que mais tem crianças acima do peso é o Nordeste, com 39,7%, seguido pela região Sul, que apresentou 36,98% em 2014, entre 6.025 estudantes. A região que engloba o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, também sofreu declínio de crianças obesas. Em 2013, o índice de alunos com excesso de peso era de 37,22%.
No Paraná, o movimento é contrário. A taxa de excesso de peso é de 37,9% em 2014, sendo que em 2013 era de 35,15%. Em Londrina, 35,63% dos alunos tiveram classificação nutricional com excesso de peso em 2013. No ano passado, o índice subiu para 38,71% e, em 2015, já são 41%. Os índices das demais cidades deste ano ainda não foram concluídos, segundo a assessoria de imprensa. Além de avaliar nutricionalmente os alunos, o programa AvanSesc promove, desde 2011, atividades e repassa orientações sobre alimentação saudável.
Esses dados acendem um alerta para o risco de desenvolvimento de doenças relacionadas à obesidade. E apesar da amostra ter contemplado somente alunos da instituição, reflete uma realidade brasileira.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), uma em cada três crianças com idade entre 5 e 9 anos, está acima do peso. Além disso, afirma-se que 50% das crianças obesas aos 10 anos e 100% das que apresentam obesidade aos 12, serão adultos obesos com vulnerabilidade a doenças cardiovasculares, diabetes, alterações articulares, entre outros males como a esteatose hepática de origem não alcoólica (EHNA).

SESC LONDRINA


A técnica de atividades de Educação em Saúde e Ação Comunitária, do Sesc Aeroporto Londrina, Amanda Daiana Jerônimo, explica que o último levantamento nutricional abrange 96 crianças de 3 a 5 anos de idade. Deste total, sete apresentaram obesidade grave, seis obesidade, 13 sobrepeso, 14 risco de sobrepeso e uma situação de magreza. "Além da alimentação, a falta de atividade física também influencia esse resultado. As brincadeiras estão diminuindo, as crianças quase não correm, ficam mais no computador e jogos", comenta.
Os alunos diagnosticados com excesso de peso vão passar agora por um acompanhamento nutricional individual. Ao mesmo tempo, assinala Amanda, toda a turma deve participar de atividades que ajudam a estimular a alimentação saudável e a prática de atividades físicas ao longo do ano. "Temos oficinas lúdicas sobre alimentação saudável. Também tentamos incentivar as brincadeiras antigas. Toda sexta-feira, por exemplo, é o dia do brinquedo, em que as crianças trazem para escola o objeto que mais gostam. Mas não pode ser eletrônico", observa.
Diariamente, quando chegam à instituição para começar o dia letivo, as crianças passam por um "circuito" com diferentes etapas. A ação envolve desde uso de cones a bambolê.
Quando o assunto é o que colocar no prato na hora das refeições, a escola também procura fazer seu papel, relata a professora Francielle Tomaz Pereira. "Trabalhamos, por exemplo, a montagem do prato com eles, que é uma forma lúdica de fazê-los perceberem o alimento saudável", pontua. Todo o cardápio servido aos pequenos segue a orientação de uma nutricionista, dando preferência para sucos naturais e frutas da estação.
Até o fim do ano, uma horta pedagógica deve ganhar corpo no colégio. O objetivo é aproximar as crianças do plantio e cuidado de verduras e hortaliças. "É uma maneira lúdica de estimular a alimentação saudável. Se a criança plantou um pé de cebolinha, por exemplo, poderá compartilhar com a família, funcionários da escola e outros alunos", completa Francielle.

FALTA CONTROLE

Rúbia Pereira, nutricionista do Sesc, avalia que os pais muitas vezes têm conceitos errôneos sobre alimentação. "Por considerar, por exemplo, iogurte um produto saudável, deixam os filhos consumirem dois copos ou mais, sem se atentar que este produto possui muito açúcar, assim como o suco de soja e outros. Nem mesmo os alimentos saudáveis podem ser consumidos sem controle. Os pais devem se preocupar com qualidade e quantidade", alerta. Rúbia vem observando que intensificando os conceitos da alimentação saudável com as crianças, indiretamente os pais assimilam e adotam a orientação na prática.

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