Paraná oferecerá implante subdérmico contraceptivo pelo SUS
Método tem eficácia de até três anos e retorno rápido da fertilidade após a remoção; Londrina, Cambé e Arapongas estão entre as cidades contempladas na 1ª fase
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segunda-feira, 01 de dezembro de 2025
Método tem eficácia de até três anos e retorno rápido da fertilidade após a remoção; Londrina, Cambé e Arapongas estão entre as cidades contempladas na 1ª fase

O Paraná oferecerá o implante subdérmico contraceptivo de etonogestrel pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O método, conhecido comercialmente como Implanon NXT, pode custar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil no setor privado e agora passa a ser oferecido gratuitamente na rede pública, o que amplia significativamente o acesso a uma tecnologia de ponta para adolescentes e mulheres. Entre os 38 municípios contemplados na primeira fase estão Londrina, Cambé e Arapongas.
O implante subdérmico de etonogestrel é um contraceptivo reversível de longa duração (LARC), com eficácia de até três anos e retorno rápido da fertilidade após a remoção. Considerado altamente eficaz, o método reduz falhas comuns relacionadas ao uso contínuo de anticoncepcionais diários ou mensais.
A incorporação ao SUS foi estabelecida pelas Portarias MS nº 47 e 48, de 8 de julho de 2025, com previsão de distribuição nacional de 500 mil unidades ainda em 2025 e expansão para 1,8 milhão até 2026.
O dispositivo será disponibilizado para adolescentes e mulheres em idade fértil, conforme critérios de elegibilidade definidos pelo Ministério da Saúde. Ele se soma ao conjunto de métodos já ofertados pelo SUS, como DIU de cobre, pílulas, injetáveis, preservativos, laqueadura e vasectomia.
Estratégia fundamental
Incorporar métodos contraceptivos de alta eficácia como o implante é uma estratégia fundamental para o enfrentamento da gestação não intencional. Dados da Pesquisa Nascer no Brasil II (2021/2023) indicam que entre 33% e 40% das gestantes avaliadas não planejaram a gravidez. Em 2022, os partos de parturientes até 19 anos representaram 12,3% de todos os nascimentos no Brasil.
O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, destacou que a iniciativa representa um avanço significativo na oferta de métodos contraceptivos e no fortalecimento dos direitos sexuais e reprodutivos. “Ampliar o acesso ao implante é dar mais autonomia e segurança às mulheres paranaenses. Estamos garantindo uma rede preparada, com profissionais qualificados e um método moderno, eficaz e seguro. Investir em planejamento reprodutivo é investir em saúde, dignidade e futuro”, afirmou.

Distribuição
O Paraná já recebeu 25.620 unidades do implante contraceptivo, que foram integralmente distribuídas aos municípios. Inicialmente, 38 cidades com mais de 50 mil habitantes foram contempladas, conforme diretrizes federais.
A previsão é de que, no próximo semestre, o método esteja disponível em todas as 22 Regionais de Saúde, ampliando o acesso ao planejamento reprodutivo em todo o Estado. O dispositivo será disponibilizado para adolescentes e mulheres em idade fértil, conforme critérios de elegibilidade definidos pelo Ministério da Saúde.
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Garantia de direitos
A chefe da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher da Sesa, Carolina Poliquesi, destacou que o Paraná já estrutura os próximos passos da implantação. As Regionais de Saúde, em conjunto com os municípios, organizarão os fluxos, definirão as equipes qualificadas e ampliarão gradualmente a oferta do implante.
“A incorporação representa uma garantia de direitos na escolha e no momento de ter filhos e para aquelas mulheres que muitas vezes não podem fazer uso de outros métodos já disponíveis no SUS. A mensagem é de ampliação do acesso, acolhimento e utilização das consultas de planejamento sexual e reprodutivo como uma oportunidade de promoção à saúde das mulheres”, afirmou.
Municípios contemplados
Entre os 38 municípios contemplados nessa primeira fase estão Almirante Tamandaré, Apucarana, Arapongas, Araucária, Cambé, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Campo Mourão, Cascavel, Castro, Cianorte, Colombo, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guarapuava, Ibiporã, Irati, Londrina, Marechal Cândido Rondon, Maringá, Medianeira, Palmas, Paranaguá, Paranavaí, Pato Branco, Pinhais, Piraquara, Ponta Grossa, Prudentópolis, Rolândia, São José dos Pinhais, Sarandi, Telêmaco Borba, Toledo, Umuarama e União da Vitória.

Oficina de qualificação
Para garantir a segurança e o cuidado com a nova tecnologia, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), em parceria com o Ministério da Saúde, realizou recentemente uma oficina de qualificação de profissionais dos 38 municípios referências das 22 Regionais de Saúde.
A oficina de qualificação reuniu cerca de 150 profissionais entre médicos, enfermeiros e gestores das 22 Regionais de Saúde, além de representantes do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren/PR) e do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems/PR).
Durante a oficina, foram distribuídos kits contendo cartilhas, aplicadores e placebos, assim como um treinamento em braços anatômicos com materiais de simulação para a prática das técnicas de inserção e retirada. Os gestores municipais também participaram de discussões sobre organização da oferta, fluxos assistenciais e planejamento territorial.
“A qualificação dos profissionais e a organização dos serviços são fundamentais para que esse novo método chegue a quem mais precisa. A inserção do implante amplia o cuidado, reduz desigualdades e fortalece os direitos sexuais e reprodutivos de mulheres e adolescentes”, afirmou A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes.
Liberdade e autonomia
A enfermeira e consultora técnica da Coordenação Geral de Atenção à Saúde das Mulheres (CGESMU) do Ministério da Saúde, Camila Farias, destacou que a ampliação de ofertas é uma estratégia do Ministério da Saúde para dar mais liberdade e autonomia às mulheres. Segundo ela, o implante é o método reversível de longa duração mais seguro e eficaz disponível atualmente e o objetivo é oferecer essa segurança para toda a população brasileira, para que possa se prevenir contra as gestações não planejadas.
"Estamos aqui para reforçar a importância da habilidade técnica, fornecer o insumo e a informação adequada para a população. Temos que fortalecer todos os métodos [contraceptivos] e entender qual o melhor para aquela pessoa que busca a unidade de saúde. O objetivo é fortalecer o que temos no SUS e reforçar que estamos incorporando novas tecnologias para dar acesso à população", afirmou.
(Com informações da Sesa)





