Os métodos contraceptivos de longo prazo sempre estiveram permeados de tabus, ainda mais quando associados à adolescência. Porém, uma nova diretriz da Associação Americana de Pediatria publicada recentemente, pretende mudar esse comportamento. A orientação tem como objetivo evitar a gravidez na adolescência, sob o entendimento de que há "falhas" no uso da pílula anticoncepcional.
Com esta diretiva, os ginecologistas deverão apostar cada vez mais em métodos como o DIU de cobre (dispositivo intrauterino), o SIU (sistema intrauterino também conhecido como DIU hormonal) e o Implante Contraceptivo, para mulheres mais jovens e sexualmente ativas.
A medida vai de encontro com uma realidade representada por números. Segundo José Bento de Souza, ginecologista e obstetra dos hospitais Albert Einstein e São Luís (SP), hoje no Brasil, um terço das gestações são representadas por adolescentes e mais da metade (60%) são indesejadas, ou seja, não planejadas. Em outros dados, a Organização Pan-Americana (OPAS) e do Ministério da Saúde (MS) apontam que 536 mil jovens com menos de 20 anos se tornaram mães em 2012.
"Em relação à proteção à gravidez, as mulheres, principalmente as mais jovens, sempre tiveram muita dificuldade em manter o uso de método contraceptivo continuamente. Elas esquecem de tomar pílula e não usam camisinha", comenta Souza, salientando que nenhum método exclui o uso de preservativo, pois este previne as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).
A ginecologista em Londrina, Inês Paulucci repercute a nova conduta com base nos atendimentos em consultório. Ela afirma que as adolescentes não estão se prevenindo da forma que deveriam. "Muitas acham que o coito interrompido é um método eficaz, o que não é verdade. E em relação à pílula, elas a usam de forma errada, pois muitas não têm a disciplina e a eficácia do método depende dessa obediência (ser ingerida todos os dias, no mesmo horário)", diz.
Sob esta ótica, Inês reconhece que a chance de falha da pílula anticoncepcional em comparação com o uso do DIU, SIU ou Implante, é muito maior. "Com eles, a paciente não corre o risco de esquecer e a validade em geral é de cinco anos. É claro que nenhum desses métodos exclui o uso da camisinha", ressalta.
A Federação Brasileira de Ginecologia (Febrasgo) publicou recentemente um esclarecimento, ressaltando que os contraceptivos de longo prazo devem ser indicados como primeira opção para todas as mulheres em idade reprodutiva, "devido à grande eficácia, altos índices de satisfação, de continuidade de uso e por não serem de utilização diária".
"As mulheres não precisam ter medo de usar esses métodos. O comportamento feminino vem passando por mudanças. Antigamente, a mulher era preparada para casar e ter filhos. Hoje, ela é preparada para o mercado de trabalho, para ter independência financeira e emocional e se quiser, casar e ter filhos. A sociedade mudou", observa Souza.

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