Papanicolau é o principal exame de prevenção
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domingo, 14 de janeiro de 2018
Reportagem Local 

O câncer de colo do útero é o terceiro tumor que mais atinge a população feminina no Brasil, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) e é a quarta causa de morte de mulheres no País por câncer.
No Paraná, em 2015, foram registradas 340 mortes pela doença, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado. Apesar da alta prevalência, uma parcela relevante da população não conhece adequadamente a doença, suas causas e como prevení-la. É o que aponta uma pesquisa da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).
Intitulada "Panorama sobre Conhecimento, Hábitos e Estilo de Vida dos Brasileiros em relação ao Câncer", a pesquisa revela que mais da metade (52%) das brasileiras não realizam o principal exame de prevenção: o Papanicolau.
"O dado é alarmante, pois o Papanicolau é o principal procedimento de prevenção do câncer de colo de útero a incidência da doença pode ser reduzida em até 80% quando feito com a periodicidade indicada pelo médico. Para diminuirmos a presença da doença entre as mulheres, é essencial que utilizemos os meios que já temos em mãos, como as vacinas, os preservativos e exames de prevenção, que podem ser encontrados gratuitamente por toda a população",", diz a médica Andreia Melo, diretora da SBOC.
O exame deve ser realizado periodicamente em mulheres em idade reprodutiva, com vida sexual ativa ou que já tiveram ao menos uma relação sexual. O Papanicolau detecta células anormais ou alterações celulares no colo do útero e é feito gratuitamente em qualquer UBS (Unidade Básica de Saúde).
HPV
Outra principal causa do câncer de colo de útero é o HPV (Papilomavírus Humano), uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Entretanto, ainda de acordo com a pesquisa, 11% das mulheres do País discorda, em maior ou menor grau, que vacinas contra Hepatite B e HPV são eficazes para evitar o desenvolvimento de variedades do câncer. Além disso, uma em cada quatro mulheres não vê a relação entre DSTs e diferentes formas da doença.
Parte do problema parece ser o desconhecimento da população em relação à doença. Uma em cada dez mulheres não conhece o câncer de colo de útero, número que chega a ser ainda mais alto em alguns estados do país, como Tocantins (20%), Sergipe (19%) e Distrito Federal (19%).
"Há anos, a rede pública de saúde do país oferece os meios necessários para que a população se proteja de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o vírus do HPV. Preservativos são fornecidos e vacinas estão disponíveis gratuitamente para meninas e meninos entre 9 e 13 anos.
Porém, sem a conscientização adequada, o que se percebe é a baixa adesão da população às medidas necessárias. Quatro em cada dez mulheres afirma não usar preservativos e nem aderir a campanhas de vacinação, sendo que uma parcela relevante 12% e 7%, respectivamente , afirma que não pretende fazê-lo no futuro próximo", diz Melo.
TABAGISMO
Outro grande vilão do câncer de colo de útero é o tabagismo. Segundo a pesquisa, 12% das mulheres do país fumam, sendo que, entre elas, 14% consome mais de 10 cigarros por dia.
"Apesar de o cigarro estar comumente relacionado ao câncer de pulmão, o tabagismo também é um fator de risco relevante quando se trata do tumor do colo de útero. E, mesmo o hábito sendo mais comum entre a população masculina, o que a pesquisa nos mostra é que grande parte das mulheres ainda fuma e, o mais preocupante, não pretende parar: 7% das respondentes diz que não abdicaria do hábito", aponta Dra. Andreia Melo.

