Em meio a pandemia de Covid-19, estar com a carteirinha de vacinação em dia se tornou um processo de responsabilidade social. Isso porque, imunizado de outras doenças, as pessoas evitam de utilizar leitos que podem ser usados para pacientes com novo coronavírus, doença que ainda não possui uma vacina. Diante da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, Paraná comemora aumento da cobertura vacinal em idosos e trabalhadores da área de saúde.

Imagem ilustrativa da imagem Pandemia intensifica busca por vacina contra gripe no Paraná
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“A Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) entende que as pessoas se preocuparam com a sua saúde e com a saúde de sua família, porque, na primeira fase da campanha contra a Influenza, que foi justamente o grupo prioritário (idosos e trabalhadores de saúde), nós atingimos 100%”, afirma Maria Goretti David Lopes, diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, da Sesa.

Em outros períodos, a cobertura chegava em uma média de 85% para os profissionais e perto de 100% para os idosos. Em 2019, por exemplo, 211.568 profissionais foram vacinados, a procura aumentou em 22,7% em 2020, com 259.638 trabalhadores imunizados. Nos idosos, 1.183.430 foram imunizados em 2019, o número subiu para 1.360.748 em 2020, representando um aumento de 14,9%. Neste ano, nesses dois grupos, a campanha ultrapassou a meta de cobertura, com 104% do primeiro público atingido e 113% do segundo.

ESTRATÉGIAS

A diretora explica que isso se deu pela preocupação da população e também das estratégias elaboradas pela Sesa antes mesmo de surgir a Covid-19 no País. “A gente já tinha como prioridade, porque estavam surgindo muitas fake news e profissionais não recomendando a vacina, veio uma onda muito forte de notícias falsas e, para enfrentar essa situação, começamos o trabalho no ano passado para ter alcance de cobertura neste ano”, aponta.

Para ela, houve uma participação e conscientização muito grande por parte dos municípios para conseguir alcançar o maior número de pessoas. “Por trás tem uma logística gigantesca de distribuição, controle, pessoal capacitado, campanha nos finais de semana e, agora com a Covid-19, até drive-thru tivemos, uma organização para que isso resultasse em uma medida prática e simples para as pessoas se protegerem”, explica.

ESSENCIAL

Lopes salienta que a vacina da Influenza não protege contra o novo coronavírus, mas que é essencial nesse momento de pandemia. “Facilita o entendimento e reconhecimento de qual vírus está circulando, ajuda nos serviços de saúde, com toda certeza”, explica.

Além de fortalecer o sistema imunológico. “Se você tem horas de sono tranquilo, repõe as energias, toma água, se alimenta bem e se vacina, é óbvio que você está protegido para qualquer problema de saúde. Essas coisas devem estar juntas, é um conjunto de práticas para fortalecer o sistema imunológico e garantir proteção”, defende.

EM LONDRINA

A diretora de Vigilância em Saúde de Londrina, Sônia Fernandes, explica que em determinados grupos prioritários houve maior interesse pela vacinação contra a gripe em relação ao ano passado. Em 2019, a meta de vacinação para profissionais de saúde ficou em 95% contra os 133% de 2020. Nos idosos, 100% da meta em 2019 foi atingida, mas esse ano chegou a 114%.

No entanto, Fernandes explica que esses são grupos que já possuem maior interesse pela vacina e que ainda há dificuldade na vacinação entre gestantes, puérperas e crianças. “Eu diria para aquelas pessoas que já tinham interesse, o interesse aumentou”, afirma. A campanha foi estendida para até o dia 30 de junho.

A diretora aponta que além do interesse maior da população, houve também uma exigência maior dos empregadores sobre os trabalhadores nesse momento de pandemia. Ela afirma que esse é um efeito comum. “No geral, as pessoas ainda só respondem a uma situação para se vacinar. Quando você tem um caso confirmado de febre amarela no País, todos correm para se vacinar, um registro de sarampo, vão atrás da vacina de sarampo. Olhar se a carteirinha de vacina está em dia, não fazem. Então, infelizmente, a vacina só é valorizada nesses momentos específicos”, afirma.

LIBERAÇÃO DE LEITOS

Fernandes afirma que a vacina é uma prevenção segura e eficaz contra a maioria das doenças e que é importante em qualquer momento e não só pela situação da Covid-19, porém, agora há outras questões a se pensar. “Agora, temos a questão da liberação de leitos hospitalares para aquilo que mais importa, que não tem forma de tratamento eficaz, que é a Covid-19", afirma.

VALORIZAÇÃO

A diretora comenta sobre pessoas que optam por não se vacinarem, seguindo argumentos de que o corpo deve responder espontaneamente às doenças, além de outros que acreditam que as substâncias das vacinas podem incorrer em outras doenças. “O que todo mundo se esquece é de olhar para o passado, quantas crianças e pessoas morriam de varíola, febre amarela, paralisia infantil e sarampo, hoje não convivemos mais com essas doenças. Ficam tentando encontrar argumentos em relação à vacina, mas eu diria qualquer argumento é facilmente derrubado”, afirma. Como exemplo atual, o próprio novo coronavírus demonstrando o que pode ocorrer com o mundo sem uma vacina.

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