O hábito de praticar exercícios traz benefícios reconhecidos por todos. Para a medicina, o sedentarismo é algo que deve ser combatido. Sempre. Cada indivíduo, porém, deve ser visto e avaliado em suas características específicas. Afinal, qualquer que seja a motivação para se exercitar - melhoria da qualidade de vida, saúde, prazer, autoestima -, as pessoas diferem não só em razão de fatores genéticos ou em função da idade. Há aspectos físicos individuais significativos, entre os quais podemos citar as dimensões do coração, o diâmetro ósseo, a massa muscular, a flexibilidade e a distribuição de gordura.
Essas diferenças explicam a razão de alguns obterem rapidamente os resultados que almejam com os exercícios enquanto outros, ao contrário, se frustram por mais esforço que façam. Mais relevante do que a rapidez com que se alcançam os objetivos é conhecer a real condição para a prática de exercícios. E o primeiro passo para tanto é uma avaliação médica meticulosa que identifique não somente as diferenças individuais como indique o tipo adequado de atividade para cada pessoa e preveja avaliações periódicas.
A experiência mostra que todos podem e devem praticar exercícios. Por exemplo, o conhecimento médico-científico já consagrou práticas e padrões para quem convive com alguns males contemporâneos como a hipertensão, a obesidade ou cardiopatias. Para essas pessoas, a caminhada é o exercício recomendável, estabelecendo-se como parâmetro frequência de três vezes por semana, em períodos de 40 minutos.
Nesse ponto, o acompanhamento é fundamental. Apenas para ilustrar, diria que indivíduos com as limitações que citei devem monitorar sua frequência cardíaca entre 50% e 70%, este último percentual como limite máximo. E é particularmente aqui que os avanços tecnológicos se apresentam cada vez mais como um coadjuvante crucial para que cada pessoa, conhecidos seus limites e suas características físicas individuais, possa obter o máximo de exercícios físicos, sem comprometer o organismo com sobrecargas e estresse indesejáveis ou, ainda, ficar aquém de seus potenciais, realizando atividades que, ao final, se revelam inócuas.
Do ponto de vista da saúde, tudo o que contribui para aperfeiçoar a boa prática dos exercícios físicos é bem-vindo. Os avanços tecnológicos se enquadram nesta categoria. Para ficar em exemplo que vem se tornando cada vez mais corriqueiro, menciono os aparelhos cuja denominação técnica é frequencímetro e que já se popularizam como monitores cardíacos. Criados e inicialmente utilizados para medir limites de profissionais do esporte, esses aparelhos evoluíram a ponto de, hoje, possibilitarem a prática segura de exercícios por camadas cada vez mais amplas, obedecendo-se sempre recomendações e avaliações médicas.
Com inovações como esta, a prática da atividade física, antes cercada de limitações, torna-se cada vez mais eficaz e segura, trazendo benefícios para a saúde e qualidade de vida de um número crescente de pessoas.

AMÉRICO TâNGARI JUNIOR é especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira

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