Devido a dores na coluna, quadril e braços desde os 36 anos, a orientadora educacional Sáida Madi, de 69 anos, sempre fez acompanhamento com um ortopedista. E foi em uma consulta de rotina, aos 52 anos, que ela descobriu que estava com osteoporose. Sáida faz parte da estatística que mostra que a doença atinge uma em cada três mulheres acima de 50 anos.
Relatório divulgado pela Internacional Osteoporosis Foundation (IOF), durante o 1º Congresso Latino-americano de Osteoporose, ocorrido recentemente em São Paulo, mostra que a baixa ingestão de cálcio, o medo do câncer de pele e o aumento da expectativa de vida devem provocar um aumento de 32% no número de fraturas de quadril até 2050. A pesquisa apontou que no Brasil a doença já causou fraturas em 3 milhões de mulheres, muitas ainda não diagnosticadas. A doença atinge os ossos e caracteriza-se pela diminuição da quantidade de massa óssea. A consequência são ossos porosos, finos e de extrema fragilidade.
Graças a descoberta precoce, Sáida pode tomar todos os cuidados para não agravar o problema. ''Comecei a fazer hidroginástica e a tomar os medicamentos que o médico solicitou e a doença não piorou. Também nunca tive nenhuma fratura por causa da osteoporose.''
Hoje ela faz exercícios específicos na Clínica do Alongamento duas vezes por semana e fisioterapia também duas vezes por semana. ''Sei que alguns exercícios podem piorar o meu quadro, por isso tomo bastante cuidado. Seguindo as recomendações do médico também tomo cálcio com vitamina D e ômega 3'', ocnta.
Como tem medo de ficar com a pele manchada por conta da idade, ela prefere se abster de tomar sol, mas garante que toma cuidado especial com a alimentação e faz acompanhamento com nutricionista. Ativa, ainda gosta de sair para dançar aos finais de semana e lamenta apenas que tenha que se aposentar, compulsoriamente, neste ano.
Infelizmente, não são todos os pacientes com osteoporose que podem ter uma vida normal e ativa. Embora seja uma doença que não provoca dores, o índice de mortalidade após uma fratura de quadril é significativo. Um estudo realizado no Rio de Janeiro mostrou que dos 246 pacientes acima de 60 anos internados, 35% morreram no hospital ou após a alta. Outro estudo mostrou uma taxa geral de mortalidade de 21,5% durante o primeiro ano após a fratura de quadril.
Além da taxa de mortalidade, outro problema da osteoporose são os custos de tratamento, principalmente do paciente que tem fraturas de quadril. De acordo com John Kanis, presidente do IOF, 50% dos custos com fraturas são relativos às de quadril, que são caras porque os gastos não são apenas com hospitais, mas também com fisioterapia e outros cuidados depois da alta. ''O mais importante é que os governos entendam os custos para atuar na prevenção'', alerta.
Segundo o pesquisador, na União Europeia o custo para se tratar as fraturas é de 38 bilhões de euros por ano, o que significa 80 euros para cada pessoa, por ano, para tratar a osteoporose. ''No Brasil, o custo direto aproximado de tratamento de uma fratura de quadril varia de R$ 7,8 mil a R$ 24 mil, em hospitais particulares, com hospitalização média de 11 dias. Isso não inclui custos com tratamento pós-fratura.
Bruno Muzzi, presidente da Associação Brasileira de Avaliação da Saúde Óssea e Osteometabolismo (ABrASSO) explica que as fraturas desestabilizam os idosos, que deixam de exercer várias de suas atividades diárias, perdem sua mobilidade e independência, além de adquirirem infecções e tromboembolias e com isso acabam falecendo. Estima-se que atuamente ocorram 121.700 fraturas anuais de quadril e prevê-se que os números aumentem em 16% em 2020 e 32% em 2050.
A auditoria ''Osteoporose na América Latina: epidemiologia, custos e relevância da osteoporose em 2012'' foi realizada em 14 países e além do Brasil foram avaliados Chile, Argentina, México, Uruguai, Peru, Venezuela, Cuba, Costa Rica, Colômbia, Bolívia, Nicaragua, Panamá e Guatemala. Além de chamar a atenção da população para o problema da osteoporose, os profissionais que realizaram a pesquisa esperam também que os governantes dos países pesquisados se convençam da necessidade de prevenir, desenvolver pesquisas e oferecer tratamentos de qualidade.
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Internacional Osteoporosis Foundation

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