Imagem ilustrativa da imagem OSCILAÇÃO - Conviver com a doença sem preconceito
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"Eu me isolava, não queria ver as pessoas, não queria viver. Era um ciclo que levava 15 a 20 dias e depois eu voltava a ativa", relata Karen (nome fictício), 39, que foi diagnosticada com depressão bipolar em 2015. Foram dois anos para chegar à conclusão de que seu estado de saúde era diferente do que haviam previamente descrito.

A depressão da dona de casa era como as outras, sentia-se triste e cansada, mas quando o sentimento passava, atingia um pico de ânimo incontrolável. "Você sai se achando o dono do mundo, comprando, vendendo, nada é difícil, tudo se resolve fácil. Quando você cai em si, se arrepende das coisas que fez e vem de novo a depressão", relata.

Segundo o psiquiatra José Alberto Del Porto, os episódios de mania não são percebidos pelo paciente, pois não há consciência do seu comportamento. "A mania e hipomania comprometem a crítica, então o paciente não tem a consciência de seu comportamento alterado. O familiar é que vai notar se está inadequado e se perguntar se não trata de uma doença para, então, estimular o tratamento", explica.

Quando Karen buscou ajuda em 2013, não aceitava a doença. Mesmo com o diagnóstico, em 2015, preferiu ignorar e não continuar o tratamento como deveria, parando de tomar os remédios sem orientação médica. Em 2018, quando teve seu segundo filho, sofreu crise intensa e precisou de internação.

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Esse ciclo entre mania e depressão a prejudicou nas atividades do cotidiano. Autônoma, ela acabou abrindo outras empresas, contratando prestadores de serviços sem ter vendas. "Eu fiz coisas que em sã consciência eu não faria, fiz dívidas, tudo na fase de mania. Depois vem a fase depressiva por conta dessas coisas que fiz. Diversas vezes pensei em suicídio", revela.

A família é fundamental para que o paciente consiga ser diagnosticado e ter uma vida normal. "É preciso observar se a pessoa não está conseguindo trabalhar, não render como rendia antes e se despir de um olhar moralizante para entender que se trata de uma doença. As depressões sofrem a pecha de serem distúrbios relacionados à preguiça, falta de caráter, má vontade e esse é um grande estigma que deve ser combatido", explica o médico.

Desde que tomou consciência da doença, ela começou a fazer o tratamento com medicamentos adequados e orientação psicológica por meio do Caps (Centro de Atenção Psicossocial). Para isso, saiu de Curitiba, cidade onde vivia com o marido e os filhos, para o distrito de Guaravera (distrito de Londrina), onde tem o auxílio dos familiares. "Eles me ajudam, dão apoio quando estou depressiva, me levantam, são os psicólogos de casa", brinca.

Há cinco meses no tratamento correto, faz planos para retomar a empresa e voltar ao trabalho. "Ainda estou um pouco insegura quanto ao cotidiano, mas estou mais firme no tratamento. Até o fim do ano quero voltar a trabalhar, meu corpo vai estar mais habituado ao tratamento e meu filho vai estar maior", anima-se.

Livre dos próprios preconceitos, orienta outras pessoas que estejam passando pelos mesmos problemas: "procurem o tratamento correto para não chegarem ao extremo. Hoje tenho uma vida normal, as pessoas nem sabem que eu tenho a doença", finaliza.

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