Os riscos de 'pisar errado'
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local <br> 
Você já reparou na maneira como pisa? Poucos lembrariam de reparar nesse detalhe da mecânica do corpo humano, que pode ser fundamental no diagnóstico de dores nas costas, na região lombar, no quadril, nos joelhos, nos tornozelos ou nos pés.
De acordo com o fisioterapeuta Mauro Pedroni Junior, são bem comuns os casos de pessoas que têm a pisada errada. A forma como se caminha pode gerar desequilíbrio postural e ocasionar dores.
''Hoje, não consigo parar um paciente sem olhar para os seus pés'', ele conta. ''Às vezes você vai olhar uma lesão no ombro que pode estar vindo dos pés. Deve ser feito o diagnóstico da lesão primária, e não os sintomas.''
A pisada errada pode ser resultado de entorses mau curados, pés planos ou pés cavos. Segundo Pedroni, que atua na Fisioclínica Londrina, pés cavos ou planos são patologias biomecânicas que podem fazer com que o pé ''funcione'' de forma inadequada.
''A repetição daquele movimento para andar vai sobrecarregar o corpo. O corpo precisa gastar energia de maneira saudável, e se tem um gasto maior, é porque tem alguma alteração mecânica'', explica.
''Um dos fatores bastante comuns é a perna mais curta por causa de ossos mais curtos. Outro é a perna aparentemente mais curta por causa da rotação da bacia, uma alteração postural que faz com que uma perna pareça mais curta que a outra'', continua.
Tratamento
O núcleo do tratamento está na reeducação e realinhamento da estrutura do corpo. Técnica francesa com o uso de palmilhas estimula as regiões musculares dos pés para corrigir vícios posturais decorrentes do desequilíbrio.
A técnica se chama podoposturologia e consiste na confecção de palmilhas feitas em EVA, borracha usada em calçados esportivos de última geração. O preço varia de acordo com o paciente.
As palmilhas, confeccionadas especificamente para cada paciente, possuem elevações chamadas de ''peças podais'', que estimulam pontos específicos para fazer os grupos musculares trabalharem na mesma medida. Desta forma, o corpo volta para seu centro gravitacional correto e ajusta os estímulos neurológicos para a nova posição.
''As palmilhas são finas, leves e dá para usar com 90% dos tipos de calçados'', informa Pedroni.
O tempo de uso depende do tipo de problema a que está relacionado. ''Mas em um ano, um ano e pouco, já se consegue um bom resultado'', afirma o fisioterapeuta.
De acordo com ele, a correção, em casos de lesões adaptativas simples, é possível e também exige exercícios físicos e reeducação postural. O uso continuado das palmilhas se faz necessário em apenas 30% dos casos, quando o paciente tem a perna mais curta que a outra, por exemplo.
Dia a dia
A empresária Cintia Ontiveros de Souza começou a usar as palmilhas há um ano, quando resolveu tratar as dores nos joelhos. ''Sentia dores quando agachava ou subia escadas'', conta.
Ao longo da avaliação médica, descobriu que pisava mais de um lado que de outro, a coluna estava torta e não tinha equilíbrio quando fechava os olhos, reflexos da estrutura corporal que comportava uma perna mais curta que a outra.
Cintia usa as palmilhas todos os dias em todos os tipos de calçados - nos tênis, para as caminhadas e nas sapatilhas, para o dia a dia, e diz que não sentiu mais dores depois disso.

