Como todo procedimento cirúrgico, a cirurgia bariátrica pode apresentar riscos e complicações. O médico endocrinologista Guilherme Marquezini observa que o risco da cirurgia acaba sendo ampliado por conta do tipo de paciente.
''Se a pessoa não tem doenças associadas, às vezes não vale a pena se submeter ao risco. O paciente mais interessante para operar é o que apresenta doenças associadas à obesidade, mas ele também é o que tem mais chance de morrer na cirurgia'', disse.
O médico explica que o procedimento é complicado e que a operação tem como objetivo a melhoria da saúde do paciente. ''O emagrecimento é a ferramenta usada para chegar lá''. Estudos apontam que pequenas perdas de peso antes da cirurgia melhoram muito o perfil metabólico e reduzem a taxa de complicações do paciente. ''Os problemas mais frequentes a curto prazo são as infecções e má cicatrização e a longo prazo as maiores dificuldades são nutricionais, que dependendo da gravidade podem levar até a problemas neurológicos'', disse Marquezini.
De acordo com o cirurgião Luiz Jóia Neto, entre as várias técnicas cirúrgicas, a mais utilizada atualmente reduz o tamanho do estômago e altera a capacidade de absorção do intestino. ''É uma cirurgia muito restritiva, um estômago que tinha capacidade de dois litros diminui para cerca de 100 ml'', disse. Conforme ele, existe risco de complicação e óbito, mas a obesidade sozinha mata mais do que a cirurgia. Jóia Neto disse que nenhum procedimento é 100% seguro e as complicações graves em torno da cirurgia bariátrica são de cerca de 1%.
Um dos problemas que pode aparecer é referente à anestesia. ''Como o anestésico é depositado na gordura, depois de encerrada a cirurgia o organismo pode reabsorver a substância e o paciente pode ser anestesiado de novo sem que as pessoas percebam. Por isso cerca de 20% dos pacientes recebem cuidados de UTI no pós operatório'', explicou Jóia Neto. Outros problemas elencados pelo médico são as infecções, que nas pessoas obesas geralmente são consideradas mais graves. ''Quando o paciente muito obeso vai para a cirurgia, fica deitado e relaxado. O peso dele comprime a musculatura e pode provocar insuficiência renal. Esta é uma complicação gerada apenas pelo fato de ele ficar deitado'', disse o médico. Para ele esta é uma cirurgia de detalhes e é preciso estar atento a tudo. (M.A.)

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