Os perigos do ruído excessivo
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
Há um tempo atrás os principais ruídos da modernidade se resumiam em sons dos automóveis pelas ruas, toques de telefones ou música um pouco mais alta que o normal num final de semana qualquer. Hoje, com as novas tecnologias e a correria diária, o ser humano - em especial os jovens - tem se ''viciado'' no som cada vez mais alto, seja dentro de um carro com o volume máximo, caminhando pelas ruas com fone de ouvido ou frequentando boates. Este perfil tem preocupado especialistas na saúde auditiva, que alertam que uma vez perdido nunca mais se recupera o sentido da audição.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 28 milhões de pessoas no Brasil sofrem de zumbido e outras cinco milhões apresentam algum tipo de surdez. Para a OMS, a segunda maior causa de redução de qualidade de vida é a perda de audição.
O médico otorrinolaringologista Murilo Henrique de Carvalho explica que é comum a perda de audição por volta dos 50 anos de idade, quando acontece um envelhecimento natural nas células auditivas. Porém, atualmente, tem sido grande a procura de jovens para tratar de problemas auditivos que poderiam ser evitados.
''O excesso de ruídos dentro de indústrias, boates, carros com equipamentos de som, tem causado surdez no ser humano. Não há uma educação correta por parte das pessoas para prevenir problemas de audição. Por isso, hoje temos tido cada vez mais casos de perda auditiva induzida pelo ruído'', diz.
Cerca de 35% dos problemas auditivos diagnosticados no Hospital das Clínicas de São Paulo foram causados por ruído excessivo - pelo uso frequente de fones de ouvido em volume alto ou até mesmo secador de cabelos (que emitem cerca de 90 decibéis).
Carvalho diz que, na maioria das vezes, quando o jovem percebe já apresenta uma surdez neurossensorial irreversível. ''Se os jovens ouvissem música ou qualquer outra coisa numa altura como quando conversando no telefone, por exemplo, não haveria problemas. O ouvido humano aguenta 85 decibéis em ambiente fechado durante oito horas sem sofrer danos. Acima disso vai haver lesão na audição'', aponta.
Terapia auditiva
Uma nova tecnologia desenvolvida na Coréia foi lançada no Brasil recentemente com o objetivo de restaurar e proteger a audição dos males da poluição sonora. Trata-se de um programa de computador que atua gerenciando a audição do paciente por meio da emissão de sinais acústicos formados por tons de frequência e amplitude moduladas.
A partir do diagnóstico, no qual são verificadas quais as reais condições de ameaça sofridas pelo aparelho auditivo, o programa divide a gama de frequências audíveis em faixas. Cada grupo de frequência tem a sua sensibilidade auditiva analisada pelo programa a fim de que sejam identificados possíveis danos.
O software, disponível para download gratuitamente para teste no site da Biosom (www.biosom.com.br), roda na maioria dos computadores e pode ser utilizado em qualquer lugar e por qualquer pessoa que queira proteger a sua audição dos males da poluição sonora cotidiana e melhorar sua sensibilidade auditiva.



