São Paulo - Junho é o Mês Mundial da Conscientização do Lipedema, uma doença crônica progressiva confundida com obesidade, ainda pouco conhecida pela classe médica e pela sociedade. Causada pelo acúmulo de gordura doente em regiões específicas como braços, pernas e quadris, o lipedema atinge cerca de 5 milhões de mulheres no Brasil e 10% em todo o mundo.

Pensando nisso, a ONG Movimento Lipedema - formada pela associação de mulheres portadoras da doença e profissionais estudiosos dessa patologia - está lançando a primeira edição da campanha Conheça Lipedema (www.conhecalipedema.com.br) para divulgar diversas ações gratuitas ao longo deste mês e informação relevante para todas as mulheres que têm a doença e para aquelas que têm (e ainda não sabem).

Entre essas ações estão as lives (21, 26 e 28/06), no perfil do Instituto Lipedema Brasil (@lipedemabrasil), apoiador da ONG Movimento Lipedema. O bate-papo é às 20h que poderá ser acompanhado por pessoas de qualquer região do país. Entre os assuntos a serem discutidos estão a importância do diagnóstico e tratamento precoce; fisioterapia ao longo do tratamento da doença; pós-operatórios, entre outros, com a participação de alguns dos especialistas da equipe multidisciplinar do Instituto, além do diretor dr. Fábio Kamamoto, um dos pioneiros no tratamento da doença no país.

“Desde 2020 temos trabalhado incansavelmente pela disseminação de informação sobre o lipedema. Ainda é uma doença mal diagnosticada, pouco conhecida não só pela população, mas também por médicos, mas a cada dia avançamos mais um pouco. Seja através da imprensa, de projetos sociais com a ONG Movimento Lipedema ou das ações gratuitas que serão executadas este mês. Isto mostra o quanto avançamos”, avalia Kamamoto.

QUATRO ESTÁGIOS

As principais características do lipedema, que possui quatro estágios, são: dores frequentes nas regiões das pernas, quadril, braços e antebraços, que ficam mais grossos e desproporcionais em comparação com o restante do corpo, no tornozelo parece que há um “garrote” e os joelhos perdem o contorno.

A mulher pode apresentar hematomas (ficar roxa) por qualquer movimento mais brusco. Isto acontece porque a doença provoca reação inflamatória em células de gordura nestas regiões.

A doença foi incluída no Código Internacional de Doenças (CID 11) no início de 2022.

Há dois tipos de tratamento para o lipedema, o clínico, que engloba uma equipe multidisciplinar (cirurgião vascular, endocrinologista, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, entre outros) com o objetivo de dar mais qualidade de vida para a paciente; e o cirúrgico, que engloba o cirurgião plástico que remove por meio da lipoaspiração as células de gordura doentes.

DIAGNÓSTICO EQUIVOCADO

Um dos problemas é o diagnóstico equivocado. Segundo estudo recente, apenas 9% dos médicos estavam aptos a fazer o diagnóstico da doença e a dar orientações corretas para o tratamento da doença. Costuma ser confundida com obesidade em 75% das pacientes ouvidas no estudo.

Além disso, 75% das publicações médicas sobre lipedema aconteceram nos últimos oito anos. 63% das pacientes revelaram histórico familiar da doença, algumas vezes acometendo três gerações: avó, mãe e a paciente, evidenciando a tese de que a doença pode ser genética.

O lipedema não é uma doença estética e, por isso, demanda tratamentos clínico e cirúrgico. A doença não é fatal, mas atrapalha a qualidade de vida da mulher de tal forma, que pode desencadear distúrbios como depressão, obesidade, bulimia, perda de mobilidade e redução de autoestima. O estudo revelou que 94% das pacientes ouvidas relataram limitação física e impacto psicossocial devido à doença.

Não há tratamento gratuito para a doença no SUS (Sistema Único de Saúde) ou pelos convênios médicos. A ONG Movimento Lipedema luta pela democratização do tratamento da doença no país. No Brasil, há poucos médicos especialistas no tratamento da doença.

SOBRE A CAMPANHA

conhecalipedema.com.br/

@conhecalipedema

SOBRE A ONG

movimentolipedema.org

@ongmovimentolipedema

(Com informações da assessoria)

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