''A relação entre o vitiligo e o fator emocional existe. Nos pacientes mais estressados e ansiosos percebemos que aumenta a chance de desenvolver ou intensificar a doença.'' A frase é da psicóloga Márcia Gon, coordenadora do Projeto de Atendimento Psicológico para Famílias de Crianças com Doenças de Pele, do curso de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Conforme Márcia, a própria instalação da doença pode ser mais um fator de estresse e ansiedade para o paciente porque ela interfere diretamente na aparência da pele. Um paciente com vitiligo nunca sabe se a mancha vai aumentar, estabilizar ou reduzir, e esta ansiedade pode prejudicar ainda mais a condição desta pessoa.
No caso das crianças, Márcia explica que a aceitação por parte dos pais é muito difícil e que o contato com o diagnóstico é delicado. ''Os pais se sentem ansiosos quanto ao futuro daquela criança e acabam dificultando a aceitação da doença'', afirma. Ela acrescenta que outra situação comum é a proteção excessiva dos filhos, dificultando que eles tenham acesso a outras pessoas.
Conforme Márcia, o tratamento psicológico para pais e familiares é importante. ''Orientamos os pais para que eles saibam ajudar a criança a lidar com a situação e para que não fiquem o tempo todo cercando o filho de cuidados. E explicamos para a criança que muitas outras qualidades podem ser desenvolvidas e que o fato de ter a doença não significa que ela não seja uma boa amiga'', afirma.
Para Márcia, a psicologia também tem um papel importante no incentivo ao tratamento. ''Há pacientes que começam e abandonam o tratamento. A orientação do médico precisa ser seguida para que se possa tentar controlar a doença, mas às vezes o próprio tratamento é causa de estresse. Em um país em que a estética é algo tão valorizado, é muito sofrido ter vitiligo'', ressalta.
Márcia explica que as alterações de pele causam repulsa em algumas pessoas e que o olhar discriminatório é o que mais incomoda os pacientes de vitiligo. ''Uma coisa é ser observado na rua pela sua beleza e outra coisa é atrair os olhares por conta de uma doença na pele. A verdade é que estes pacientes nunca passam despercebidos'', afirma.
Para driblar o preconceito, a psicóloga orienta que alguns pacientes utilizem maquiagem para camuflar o problema. ''Se a pessoa se incomoda muito ela pode esconder para se sentir melhor, mas não dá para fazer isso o tempo todo'', conclui. (M.A.)

Serviço:
O departamento de Psicologia da UEL tem um projeto que atende gratuitamente crianças com doenças de pele e familiares. Quem quiser participar pode entrar em contato pelo telefone (43) 3371-4237.

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