Odontologia para pacientes com câncer
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de julho de 2011
Fernanda Borges <br> <br> Reportagem Local 
Passar por um tratamento quimioterápico é doloroso, por isso, reduzir as chances de qualquer problema que possa acrescentar mais dores ao paciente com câncer é sempre importante. Com as células de defesa diminuídas durante a quimio e radioterapia, quem passa por esses tratamentos fica totalmente exposto às infecções e outras contaminações. Por isso, preparar a boca e receber intervenções odontológicas enquanto o paciente é medicado pode evitar a disseminação de bactérias pela saliva, além de preveni-lo contra problemas capazes de levá-lo até a morte.
De acordo com a cirurgiã-dentista Letícia Lang Bicudo, especialista em odonto-oncologia, por falta de orientação, muitos pacientes com câncer passam por problemas bucais sérios que poderiam ser evitados com um acompanhamento adequado. Os efeitos colaterais da quimio e radioterapia podem provocar problemas como ulcerações na mucosa, sangramentos espontâneos na gengiva, aumento de cáries, infecções, alterações no paladar, falta de salivação, entre outros. ''O ideal é que o paciente possa ter acompanhamento odontológico antes, durante e depois da quimio e radioterapia. As infecções bucais são responsáveis por 50% das septcemias (infecções generalizadas) e podem levar até a morte'', diz.
Experiências médicas mostram que o paciente tem uma queda na resistência após o tratamento e esse período, segundo estudos, pode se prolongar por até quinze dias. A especialista reforça que durante esse período qualquer foco de infecção é preocupante. ''Não importa a localização do câncer, mas sim os quimioterápicos utilizados durante o tratamento. Quando um paciente tem um câncer de cabeça e pescoço é imediatamente conduzido pelo médico para um tratamento prévio odontológico para evitar riscos maiores''.
Ainda segundo Letícia, a desnutrição é outro fator importante desencadeado pela dificuldade do paciente de se alimentar por causa dos ferimentos na boca. Com isso, há um aumento significativo do risco de infecções. ''As complicações não ocorrem em todos pacientes, depende do tipo de quimioterapia utilizada, do local e dose da radioterapia. O importante é prevenir e preparar a boca do paciente antes do início do tratamento para que não haja o risco de desenvolvimento de infecções e futuros problemas'', enfatiza.
Novas tecnologias
Atualmente existem ferramentas como o laser, usado na prevenção e tratamento de mucosite e outras lesões orais. Usada para reduzir a dor provocada pelas ulcerações da boca, a laserterapia é indicada também na reparação dessas feridas. Especialistas afirmam que a rápida cicatrização é importante porque toda ferida aberta é um foco de infecção, porta de entrada para micro-organismos principalmente em pacientes cujas defesas estão diminuídas. Para fazer a laserterapia, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) exige uma habilitação específica dos dentistas.

