Osteoartrose é um nome novo para uma doença antiga, a artrose. Na classe médica, a mesma doença ainda é conhecida como osteoartrite. Apesar de pesquisas apontarem que 5% da população brasileira tem osteoartrose, o presidente da comissão de Osteoartrose da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Ibsen Bellini Coimbra, acredita que o levantamento é subestimado, devendo haver muito mais de 10 milhões de pessoas com a doença no País.
Considerada uma insuficiência da articulação, a osteoartrose acomete todos os componentes das juntas e repercute sobre a cartilagem, reduzindo o volume da mesma. O médico explica que esta é uma doença limitada às articulações, diferentemente da artrite, que é sistêmica (leia mais nesta página).
Conforme Coimbra, a grande novidade em torno desta doença é que além de ser degenerativa, a osteoartrose passou a ser considerada também uma doença de natureza inflamatória. "A outra novidade é que a osteoartrose faz parte da síndrome metabólica, ou seja está associada ao diabetes, à hipercolesterolemia, à hipertensão arterial e, principalmente, à obesidade. Descobriu-se que a obesidade parece ser um dos principais gatilhos da doença, juntamente com algumas alterações biomecânicas como o desalinhamento dos membros", salienta.

Como cuidar
O tratamento medicamentoso da doença é importante, mas para que ele alcance um resultado efetivo, Coimbra destaca que é fundamental levar a sério as questões não farmacológicas. Se o indivíduo for obeso, o primeiro passo é emagrecer. "Já constatamos que a perda de peso é a analgésica", garante o médico. Algumas atividades físicas, além de melhorar o condicionamento aeróbico do paciente, vão fazer o reforço das musculaturas adjacentes e das articulações que estão doentes. "O núcleo central do tratamento não é medicamentoso. Não adianta receitar remédio se o paciente não se dispôr a fazer estas outras mudanças", ressalta o médico. Além das medidas não farmacológicas podem ser indicados analgésicos ou até anti-inflamatórios para auxiliar no tratamento, mas alguns apresentam efeitos adversos, que, de acordo com o médico, são desagradáveis e perigosos, por isso devem ser usados em dose e período de tempo reduzido, desde que haja indicação médica. Ele acrescenta que não há atualmente medicamentos que promovam a cura efetiva ou que modifiquem a evolução da osteoartrose, mas Coimbra frisa que algumas drogas têm potencial para evitar a progressão da doença.

Sintomas
A médica reumatologista Cacilda Nakamura explica que, além da obesidade e demais doenças relacionadas à síndrome metabólica, a genética, as doenças inflamatórias (como a artrite) e a gota também podem desencadear o aparecimento do problema. "Uma característica da osteoartrose é o aparecimento da dor no início e no final do dia, acompanhada da sensação de falta de lubrificação e da rigidez", explica a médica. No entanto, quando a doença está no início ela nem sempre é acompanhada do quadro de dor. "A doença é crônica e habitualmente progressiva. O tratamento deve começar quando a dor passa a incomodar e interferir na vida do paciente", relata Cacilda.
Na maioria dos casos os sintomas da artrose começam nos joelhos e quadris. A médica salienta que com o desenvolvimento da inflamação, as estruturas que estão em torno da articulação também são afetadas e as consequências da artrose podem atingir também os músculos e tendões. Há dois tipos de artrose, a primária é decorrente do próprio envelhecimento e pode atingir todas as articulações do organismo, já a secundária é provocada por algum fator externo como fratura ou infecção articular.

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