Vida simples, pensamento elevado. Em tempos em que a saúde emocional ganha mais sentido, buscar a meditação tem sido realmente um caminho para uma vida melhor. Prova disso é o número crescente de pessoas que vêm descobrindo a prática, assim como o surgimento de estudos científicos.

Há, por exemplo, a defesa de que meditar pode ajudar a evitar doenças como Parkinson e o Alzheimer. Esse é o resultado de um estudo do Centro de Mapeamento do Cérebro, conduzido por Florian Kurth e demais pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (Ucla).

Os especialistas descobriram que no cérebro das pessoas que meditaram durante muitos anos a perda da massa cinzenta foi menor. A massa cinzenta é o tecido formado por neurônios associado à função cognitiva e memória.

Já se sabe que o envelhecimento do cérebro começa na juventude, a partir dos 20 anos, e que com o passar do tempo ele segue sofrendo redução de volume e peso. É por isso que ao longo da vida pode perder algumas habilidades funcionais.

Os cientistas compararam 50 pessoas que tinham meditado por aproximadamente 20 anos e outras 50 que não o fizeram. Os dois grupos apresentaram perda de massa cinzenta em ressonância magnética. No entanto, entre aqueles que meditaram, o volume não foi tão expressivo quanto nos demais.

Os grupos eram formados por homens e mulheres, entre 24 e 77 anos. Porém, mesmo com resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que há outros fatores que podem influenciar em todo o processo, como estilo de vida e traços genéticos, por exemplo.

Transformação interna
É inegável que aos poucos as pessoas estão despertando para a saúde emocional com o olhar voltado para a espiritualidade. Quem pode afirmar isso é o monge hinduísta Chandramukha Swami, que esteve em Londrina na semana passada, ministrando a palestra "Meditação Fácil em Tempos Difíceis", que teve um público aproximado de 80 espectadores. "As pessoas estão se rendendo, buscando momentos de experiências espirituais, pois sentem que estão vivendo de forma superficial", diz.

De Teresópolis (RJ), o monge veio a Londrina a convite de integrantes do Lapidar, um método de estudo e práticas da ciência universal de bhakti (devoção a Deus), que é de sua autoria e se espalhou por várias cidades brasileiras.

Os grupos se reúnem para estudar 25 lições fundamentadas na tradição dos Vedas e isso ocorre em duas fases. O monge aponta que cada letra do Lapidar tem uma história relacionada à espiritualidade.

"A busca é por uma vida simples, mas com pensamento elevado. E essa simplicidade não significa uma vida de privação. A primeira coisa que devemos saber é para onde vamos. Essa é a meta da vida e depois vem o conforto. Como meio, o conforto é bem-vindo, mas como fim é ilusão", afirma.

Swami explica que a palavra meditação vem do latim meditare, que significa voltar-se para dentro. "Tudo realmente tem que nos levar a compreender o verdadeiro ‘eu’, e a meditação leva a pessoa a aprender a lidar consigo mesma. Quando isso não é possível, todo o resto vai ser uma consequência negativa", completa.

Ele sustenta que, sem uma mente limpa, ninguém abandona os maus hábitos. "Quando nossa consciência real começa a despertar, todas as virtudes vão se manifestando. A meditação não é meramente um momento que a gente pratica durante o dia. É um estado de consciência. A ideia é limpar a mente para depois ter um lado pró-ativo. A informação está dentro de nós", salienta.

O viver de dentro para fora
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Para quem está iniciando, o monge diz que o cantar dos mantras é uma meditação fácil e prática. "Porque é muito difícil parar com a mente. Então, essa coisa de esvaziar a mente não é o ideal para quem quer começar. O caminho é introduzir um som espiritual, terapêutico. A palavra mantra significa libertação da mente. Quando a mente está tranquila, tudo em volta fica mais tranquilo", aponta.

Swami ainda ressalta que esse é um primeiro passo e não requer que a pessoa seja desapegada, intelectualizada e com poder de concentração. "Você não precisa de nada disso. O som já tem um poder de alterar nosso estado de humor. O cantar do mantra entra na nossa consciência, limpa e nos desperta para conseguirmos lidar com problemas. Eles (problemas) continuarão surgindo, mas talvez você não irá mais se identificar tanto", conclui.

O monge já escreveu mais de 20 livros sobre filosofia védica, meditação, ioga e temas ligados à tradição Vaishnava dos Vedas. Ele também é músico, com 11 CDs gravados. Fez seus votos de Sannyasa (vida renunciada) em 1986, na sagrada cidade de Mayapur, na Índia, e em 1977, recebeu o título Bhakti-shastri, concedido apenas àqueles que demonstram competência na compreensão filosófica das escrituras védicas.

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