Uma notícia muito boa ou muito ruim pode provocar a descarga de hormônios relacionados ao estresse no organismo e destruir parte das células do coração. O quadro clínico do indivíduo que passa por esta situação é típico de infarto agudo do miocárdio, com dor torácica, palidez, transpiração e náusea. A diferença é que a Síndrome do Coração Partido – como é popularmente chamada a Síndrome de Takotsubo – não apresenta risco de morte.
Pouco frequente na população em geral e mais comum entre as mulheres, esta síndrome é habitualmente uma situação benigna que se normaliza após algumas semanas de tratamento. O médico cardiologista Icanor Rodrigues explica que o infarto têm um diagnóstico clínico que é confirmado pelo eletrocardiograma e por um exame de sangue específico.
"A pessoa com a Síndrome do Coração Partido apresenta todas as características de infarto, inclusive os dados do eletrocardiograma e do exame de sangue confirmam a suspeita. No entanto, quando submetemos este paciente a um cateterismo identificamos que não há artérias obstruídas como num infarto normal", explica. Conforme o médico, o segundo aspecto observado é referente a uma região específica do coração, que fica mais abaulada e não se contrai. "Temos a imagem de uma parte do coração funcionando normalmente e outra parte não, daí vem o nome ‘coração partido’", complementa o cardiologista.
O médico cardiologista Marco Antonio Fabiani explica que as pessoas com este quadro são tratadas com medicação e procedimentos específicos, como os pacientes infartados. "O risco de haver um novo episódio sempre existe, mas não é comum a pessoa ter infartos repetitivos. Para reduzir o risco de ocorrerem novos espasmos na parede arterial que provocam este quadro, o indivíduo deve fazer acompanhamento médico", complementa.

Dores no peito
Com tranquilidade e um sorriso no rosto, Flora Drovandi, de 86 anos, não esquece do episódio que viveu em 2007, quando uma forte dor no peito e na boca do estômago a levou ao hospital. A suspeita de infarto mobilizou familiares e médicos, os exames confirmaram o quadro e o cenário só mudou após a realização do cateterismo. "Os médicos viram que não tinha nenhuma artéria obstruída e que o meu coração estava batendo diferente", explica. Flora teve então seu diagnóstico fechado: Síndrome do Coração Partido.
Aos poucos, o coração voltou ao normal e, depois deste episódio, a única coisa que mudou na rotina desta dona de casa foram as visitas ao cardiologista, que passaram a ser semestrais. O motivo do susto, dona Flora não sabe explicar. "Não passei por nenhuma situação grave naqueles dias, a única coisa que me estressava um pouco era a reforma que estava sendo feita no meu apartamento", conta.
A Síndrome do Coração Partido ficou no passado e hoje dona Flora desfruta de uma saúde de ferro, com pressão arterial normal. "Mas não descuido. Como alimentos saudáveis e faço alongamento e caminhada duas vezes por semana", ressalta. (M.A.)

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