Das abelhas até o veneno se aproveita. Além do mel, do própolis e da geleia real, a apitoxina (veneno) também pode ser usada em benefício da saúde. A técnica que usa picadas de abelhas para tratar e curar doenças chama-se apiterapia. O técnico de laboratório Nelson Elias da Rocha, 58 anos, descobriu a apiterapia há cerca de três anos e de lá para cá fez cursos e se aprofundou no assunto. Ele é o único apiterapeuta de Londrina e um dos poucos do Brasil.
A terapia com as picadas das abelhas é dolorosa, por isso Rocha explica que quem se submete a isso são pessoas que não tiveram sucesso em tratamentos tradicionais. ''É indicado pelo menos para 207 doenças entre elas artrite, esclerose múltipla, mal de parkinson, bronquite e depressão'', elenca.
No Brasil este tipo de terapia não é reconhecida pelo Ministério da Saúde, mas no exterior o cenário é diferente. ''Em Cuba a apiterapia tem o apoio do governo e é realizada nos postos de saúde. Em países como Alemanha, Rússia e China as aplicações são feitas dentro dos hospitais'', destaca Rocha.
A abelha usada na técnica é da espécie europa (apis melifera). O apiterapeuta tem suas próprias colmeias de onde retira algumas operárias para fazer as aplicações. O número de picadas é gradativo, elas são induzidas e realizadas em pontos de apiterapia e em áreas de acupuntura.
As aplicações da apitoxina são feitas semanalmente e durante este período são necessários alguns cuidados. ''Recomendamos melhorar a ingestão de vitamina C, reduzir o consumo de carnes e suspender o uso do álcool e cigarro'', explicou. Além disso alguns medicamentos podem alterar a reação do organismo ao veneno, por isso ele destaca que o terapeuta deve ser avisado se a pessoa tomar algum medicamento alopático, principalmente antiinflamatórios e antibióticos.
De acordo com Rocha, o veneno das abelhas tem mais de 150 componentes que juntos dão ''equilíbrio'' às pessoas. ''Antes de iniciar fazemos um microteste para identificar se a pessoa tem alergia à apitoxina. Em caso positivo o uso do veneno não pode ser feito, então indicamos que a pessoa use mel, própolis ou geleia real no tratamento'', afirma.
O apiterapeuta destaca que em geral a melhora dos sintomas é notada no dia seguinte às picadas e que em alguns casos a pessoa pode apresentar um estado febril ou gripal após a aplicação do veneno. ''Este é o começo da cura. O benefício é muito grande''. Rocha alerta que não se pode aplicar o veneno das abelhas sem saber os pontos adequados, pois há risco de complicação.
Pesquisas científicas comprovam a ação terapêutica do veneno da abelha. A professora do Departamento se Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá, Lucimar Pontara Peres, é doutora na area de apicultura e explica que os estudos apontam que o veneno produzido pelos insetos tem mais de 50 componentes identificados.
Segundo ela, tese de doutorado de uma pesquisadora da Universidade de São Paulo aponta a diminuição da dor causada pela artrite associada a aplicação do veneno da abelha. ''O trabalho diz que a inflamação causada pelo veneno da abelha aumenta o nível de corticóide endógeno no organismo e faz com que a artrite perca força quanto a sua atuação. A pesquisa mostra que o veneno da abelha pode servir como tratamento preventivo contra a artrite'', destaca.
Conforme Lucimar, esta é apenas uma das pesquisas que comprovam a ação positiva do veneno da abelha no organismo. Apesar dos benefícios, cuidados devem ser tomados. ''Pessoas que tem sensibilidade ao veneno da abelha devem ter cautela quanto a utilização de qualquer produto que contenha esta substância. Considerando que o veneno da abelha pode causar choque anafilático em alguns casos, é importante que qualquer tratamento deste tipo tenha o respaldo de um médico''.

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