O reconhecimento de terapias alternativas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Juliana Gonçalves, especial para FOLHA 

Aliviar o estresse, combater dores e auxiliar no tratamento de qualquer doença: esses são alguns dos benefícios que as terapias complementares podem trazer para a saúde. E isso tem sido cada vez mais reconhecido. Tanto que o Ministério da Saúde acaba de ampliar os procedimentos oferecidos pelo Sistema de Único de Saúde (SUS), incluindo a meditação, arteterapia, musicoterapia, reiki, quiropraxia, naturopatia e osteopatia à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Esse movimento tem recebido apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), que incentiva os países a inserir essas práticas em seus sistemas de saúde.
Criada em 2006, a PNPIC já oferecia fitoterapia, acupuntura, homeopatia, medicina antroposófica, termalismo, terapia comunitária, dança circular, ioga, auriculoterapia e massoterapia. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2016, mais de 2 milhões de atendimentos utilizando praticas integrativas e complementares foram realizados nas unidades básicas de saúde de mais de 1,7 mil municípios. Esses serviços recebem financiamento do Ministério da Saúde, mas são oferecidos por iniciativa local. Assim, cabe ao gestor municipal definir os recursos e elaborar normas técnicas para a inserção das práticas na rede municipal de saúde.
Por meio dessa política, o Ministério da Saúde reconhece oficialmente a importância da chamada medicina não convencional, considerada como prática voltada à saúde e ao equilíbrio vital do ser humano. "Esse reconhecimento oficial é muito importante porque muita gente acha que as terapias alternativas estão ligadas a religiões ou crendices", avalia a mestre em reiki da Associação Portal da Luz, Vera Lucia Lisboa, de Londrina.
Uma das novidades entre as terapias oferecidas pelo SUS, o reiki é uma técnica japonesa que auxilia na redução do estresse e no relaxamento, promovendo desta forma a cura. "O reiki é feito através da imposição das mãos e se baseia na ideia de que uma energia vital invisível flui através de nós. Se o nível de energia vital está baixo, ficamos mais propensos a doenças ou mais estressados", explica Vera Lucia. Ela ressalta que a técnica também pode ser usada no tratamento do câncer, para amenizar os efeitos colaterais da quimioterapia.
Vera Lucia ressalta que, apesar de estar muito ligado à natureza espiritual, o reiki não é religião. "Não há nada em que se deva acreditar para receber o reiki. Ele vai fluir da mesma forma, crendo em sua força ou não".
AUTOCONHECIMENTO
Já a meditação costuma estar mais ligada a religiões com métodos e objetivos específicos em cada uma , apesar de não depender delas para promover benefícios. Em geral, a meditação tem como finalidade facilitar o processo de autoconhecimento e autotransformação. "Do ponto de vista budista, o objetivo da meditação é fazer com que a pessoa encontre quem ela é, qual é a sua verdadeira natureza, através da concentração", explica o monge zen-budista Daitetsu, de Londrina.
Ocorre que a meditação, independente do método ou crença, tem alguns efeitos colaterais muito benéficos para a saúde. "Esses efeitos colaterais são os mesmos em qualquer tipo de medicação: maior capacidade de concentração, aumento da imunidade, diminuição dos níveis de adrenalina, aumento na liberação de endorfina. Isso tudo é comprovado cientificamente, não é esoterismo", conta o monge. Assim, a meditação pode ser muito eficiente no tratamento contra estresse, pressão alta, insônia, depressão, problemas cardiovasculares.
"Se praticar com regularidade, a meditação modifica o cérebro e faz com que os efeitos durem", afirma Daitetsu. O monge ressalta, no entanto, que a meditação deve ser encarada como uma terapia complementar. "Não quer dizer que a pessoa possa abandonar um tratamento convencional que esteja fazendo."

