O que esperar do futuro?
Se há décadas as expectativas sobre o futuro da genética já eram promissoras, agora já são vistas como reais para um futuro muito próximo.
Segundo o geneticista Ciro Martinhago, atualmente os testes podem levar ao tratamento de quatro doenças genéticas (como erros inatos do metabolismo), mas ainda com um custo altíssimo de R$ 60 mil por mês.
Para ele, as possibilidades de tratamento devem se desdobrar em breve, por meio da terapia gênica (introdução de uma informação genética em uma célula com o objetivo de modificar o curso de uma doença) e de células-tronco.
"Por exemplo, no Hospital das Clínicas em São Paulo, as células-tronco de cordão umbilical já vêm sendo usadas para o tratamento de crianças com paralisia cerebral. O que eu vislumbro para o genética no futuro são os tratamentos. Meu sonho é que a gente possa curar os embriões", salienta.
Edson Borges, especialista em Urologia e em Reprodução Humana Assistida, estuda um método não invasivo que pode revelar a probabilidade do embrião se fixar dentro do útero. "Um grande problema da reprodução, às vezes, é o tempo que o casal demora para engravidar, o que é emocionalmente muito ruim. Então, se a gente conseguir aumentar a eficiência e consequentemente, diminuir o tempo para o casal engravidar, é uma grande coisa", observa.
Ele explica que um casal absolutamente fértil tem uma chance de gravidez de 20% a 25% por mês. Na reprodução assistida, esse percentual se mantém por embrião. "Nosso objetivo dentro do laboratório é, a partir do momento que temos mais embriões, poder escolher aquele que pode ser melhor para aumentar essa chance", diz.
Nos laboratórios, o embrião é mantido em uma gota de cultivo, onde cresce e faz trocas metabólicas, de substâncias. Essa nova avaliação consiste em extrair uma pequena quantidade desse líquido e analisá-lo, buscando saber se o embrião que está fazendo um tipo de troca específica é aquele que tem mais chance de se fixar. "A chance estimada é em torno de 70% a 80% com os 20% que a gente tem hoje", aponta.
Ainda de acordo com Borges, o teste não é invasivo. Além da fixação, Borges acredita que futuramente o método também possibilitará identificar doenças. "Um caminho à frente é descobrir a partir deste líquido o embrião que tem maior ou menor chance de ser anormal geneticamente. Não especificamente para uma doença, mas saber, por exemplo, se tem mais probabilidade de ter uma Síndrome de Down", conclui. (M.O.)




