O perigo chega em silêncio
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domingo, 01 de abril de 2018
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

São Paulo - O carcinoma hepatocelular (CHC), o câncer primário do fígado, é o quinto tipo de câncer mais comum em homens e o sétimo em mulheres e é responsável pela morte de 696 mil pessoas em todo o mundo ao ano. No Brasil, foram registrados 44.541 óbitos entre 2011 e 2015. Apesar da alta incidência, ainda é baixo o índice de diagnósticos feitos nos estágios iniciais da doença. A maioria dos pacientes com CHC descobre o problema quando os cuidados não são mais possíveis e a única chance de cura é o transplante de órgão. Uma ampla divulgação sobre os fatores de risco que podem causar o carcinoma hepatocelular e a importância do diagnóstico precoce são desafios que os profissionais de saúde tentam enfrentar para reduzir o número de mortes decorrentes da doença.
"Só 9,8% dos pacientes chegam no sistema público de saúde com carcinoma em etapa inicial. A maior parte dos pacientes chega em estágio terminal, onde não há mais formas de cuidados", destacou Roberto de Almeida Gil, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. Nos últimos cinco anos, o Sistema Único de Saúde diagnosticou 26.200 casos de CHC no Brasil. Embora o Brasil não esteja entre os países com maior incidência, estima-se que haja uma subnotificação da doença pelo SUS.
Esse tipo de tumor é considerado extremamente agressivo, mas silencioso. Após o início dos sintomas, leva à morte rapidamente, por isso a importância da prevenção. Atualmente, o CHC é a terceira maior causa de morte por câncer no mundo. Entre os principais fatores de risco para a doença estão as infecções pelos vírus das hepatites B e C, cirrose relacionada ao consumo excessivo de álcool e esteatose hepática não alcoólica, que é o acúmulo prejudicial de gordura no fígado.
As DDTs (Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas) do câncer de fígado, publicadas pelo Ministério da Saúde em 2012, determinam os mesmos procedimentos estabelecidos por protocolos internacionais para a doença. Os documentos indicam o rastreamento de pacientes em grupos de risco, como os cirróticos e portadores dos vírus das hepatites B e C, por meio de exames de ultrassonografia de abdômen a cada seis meses e, em caso de alterações, o diagnóstico de CHC pode ser confirmado por tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
Em 95% das vezes, o câncer de fígado está relacionado à cirrose hepática e, em 48% dos casos, o CHC está associado ao vírus da hepatite C, um dos responsáveis pela cirrose, conforme observa o médico Flair Carrilho, chefe da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia Clínica do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). "Uma pesquisa que acompanhou o rastreamento por ultrassom a cada seis meses no paciente cirrótico apontou que em cinco anos 14,3% dos cirróticos desenvolvem câncer", ressaltou.
No SUS, a maioria dos casos de CHC foi observada em pacientes entre 60 e 70 anos de idade com incidência equivalente entre homens e mulheres e uma concentração maior nas regiões Sul e Sudeste do País. Entre as confirmações de câncer, 88,2% dos pacientes viviam na zona urbana e 11,8%, na zona rural. "Acredito que algo está errado em nosso país e a doença não está sendo informada corretamente", apontou Carrilho.
*A repórter viajou a São Paulo a convite da Bayer

