Nilce da Silva Bonetti está passando por um momento difícil. Aos 59 anos ela compartilha o sofrimento da filha de 35 anos, que foi diagnosticada com câncer de mama em agosto do ano passado. Num final de tarde da última terça-feira, ela conversou com a reportagem enquanto aguardava um ônibus para voltar para casa, em frente ao Hospital do Câncer, Zona Sul de Londrina.
Nilce havia passado mais um dia com a filha, que antes de descobrir a doença na mama esquerda, trabalhava no camelódromo. ''Se não fosse esse hospital não sei o que a gente fazia. A gente foi no posto de saúde e depois fomos atrás de outros hospitais, não sabia para onde ir até que viemos para cá''.
De acordo com Anderson Silvestrini, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), esse é um dos problemas no país que acabam causando demora para início do tratamento do câncer. ''No Reino Unido 99% dos pacientes iniciam tratamento em até um mês após diagnóstico. No Brasil a média é de 76 a 113 dias para iniciar tratamento'', comentou.
Sueli Alves Pereira descobriu que estava com câncer em janeiro deste ano. ''Tinha dores de cabeça''. Após exames, ela soube que possuía um tumor no pulmão, que havia se alastrado para cabeça. ''Foi um choque. Na hora não caiu a ficha. Mas depois chorei. Fiquei descrente''.
Em março Sueli começou seu tratamento, com quimioterapia e medicamentos contra dores. Mas apenas no final de abril, dia 26, iniciou a radioterapia. ''Tem que fazer muitos exames e o resultado demora um pouco'', comentou a irmã de Sueli, Márcia Pereira, que a acompanhava em sua segunda sessão de radioterapia no Hospital do Câncer. A família é de Arapongas. ''A quimioterapia ela faz lá (Arapongas) e a radio aqui (em Londrina). Fomos muito bem recebidos'', afirmou.
De acordo com o administrador geral do Hospital do Câncer, Edmilson Garcia, o hospital está ''buscando ampliação pois a demanda está crescendo''. Um prédio de oito andares está sendo construído ao lado do hospital. No momento, o hospital, que é filantrópico, funciona praticamente no limite. Conforme ele, os leitos de UTI passam a maior parte do mês totalmente lotados. ''Em relação a cirurgias, têm algumas com fila de espera de até 90 dias, mas por que depende do médico especialista'', afirmou.
Para atender a demanda por radioterapia, Garcia afirmou que o serviço funciona das 7 até 22 horas. ''Buscamos agir da forma mais rápida possível''. De acordo com ele, há espaço para implantação de mais uma máquina de radioterapia no hospital, mas o custo é alto. ''São cerca de R$ 2 milhões''. Conforme administrador, o hospital espera adquirir um novo equipamento em 2013. O Hospital do Câncer de Londrina é referência para toda região e realiza em média 1,2 mil atendimentos por dia.

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