A alta prevalência do diabetes entre a população e a estimativa de que a doença chegará a atingir mais de 380 milhões de pessoas em todo o mundo até 2025, têm forçado as pessoas a adotarem hábitos cada vez mais saudáveis.
Em paralelo a esse comportamento, há um volume de informações que nem sempre são benéficas, principalmente no que se refere à alimentação que é a base de todo o tratamento de diabetes. Para quem tem o tipo 2, esse controle alimentar chega a ser inclusive uma prioridade, pois geralmente há um relação com o excesso de peso corporal.
O endocrinologista André Gustavo Daher Vianna, diretor científico da Sociedade Brasileira de Diabetes – Regional Paraná, lembra que a insulina (hormônio produzido no pâncreas) é responsável pelo metabolismo do açúcar e sua função é fazer com que esse açúcar seja apresentado pelas células como energia.
"Nos diabéticos, a insulina não tem uma produção essencial ou não apresenta um funcionamento ideal. Quando há um um excesso de peso, a gordura interfere ainda mais no funcionamento desse hormônio. O açúcar não será utilizado pelas células e se acumulará na corrente sanguínea", detalha.
Segundo ele, apesar das pessoas terem conhecimento sobre a importância do cardápio no controle da doença, elas encontram muitas dificuldades ao mudar a alimentação. "O ser humano cria hábitos e modificar isso é muito difícil. Mas é preciso entender que os resultados surgem de um tripé, que é o controle alimentar, atividade física e uso de medicamentos", ressalta Vianna, também pesquisador do Centro de Diabetes Curitiba.
A nutricionista Juliana Munhoz Pirolla afirma que um dos grandes vilões para os pacientes nesse processo de adaptação são os carboidratos. "Hoje as pessoas priorizam muito as massas, pães e biscoitos que têm um reflexo ruim para a doença e também para outros fatores associados, como o aumento do peso", observa.

DIETA INDIVIDUALIZADA


No dia a dia do consultório em Londrina, ela enfatiza a importância da dieta individualizada, pois defende que o plano alimentar depende muito da rotina de cada paciente. Porém, há regras gerais. Ela cita que é preciso fazer três refeições principais, como café da manhã, almoço e jantar, e os intervalos, lanche da manhã, da tarde e a ceia, um pouco antes de deitar. "Essa regularidade é essencial para não haver alterações na glicemia (nível de açúcar no sangue)", comenta.
Além disso, existe uma "matemática" simples para manter sempre alimentos saudáveis no prato. A dica é fazer a combinação de grupos alimentares, colocando sempre uma fonte de carboidrato, uma fonte de proteína, uma fonte de gordura do bem e as fibras.
"Pra quem tem o diabetes tipo 1, há uma particularidade que é a contagem de carboidratos, pois a quantidade de insulina depende da quantidade de carboidratos que a pessoa consumiu em determinada alimentação", orienta.
A boa notícia é que como os alimentos são funcionais, ao adotar hábitos saudáveis e seguir um plano indicado por nutricionista, os resultados são rápidos e perceptíveis. Juliana ressalta apenas que, em crianças, essa mudança demanda um cuidado maior, pois vai depender muito da conscientização dos pais e de toda a família.

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