Novos caminhos contra a Hepatite C
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domingo, 27 de julho de 2014
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Hoje é o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. A data não apenas reforça a importância da prevenção, mas também é uma oportunidade para discutir novos tratamentos, mais toleráveis e eficazes, assim como a necessidade do diagnóstico precoce.
Na última semana, especialistas de todo o mundo estiveram reunidos no Brasil, para se atualizar e debater a respeito de novos métodos que prometem menos efeitos colaterais e taxas de cura cada vez maiores.
O médico Raymundo Paraná, coordenador do Congresso "Hepatologia do Milênio", afirma que há muito o que comemorar, principalmente em relação às opções terapêuticas. "A Hepatite C é uma das poucas doenças crônicas que se curam. Novos medicamentos que estão por chegar são melhores no ponto de vista da tolerância e da eficácia. Acreditamos que em breve, outros medicamentos que estão em fase final de estudo, combinados entre si acabarão levando a uma chance de cura superior a 90%, em casos não avançados", diz.
Hoje, o tratamento é baseado nos genótipos (variações genéticas) 1, 2 e 3, os mais comuns no país. Segundo Paraná, que é chefe do serviço de Gastro-Hepatologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), 70% dos casos são genótipo 1 e o tratamento combina o Interferon, medicação injetável imunomoduladora que estimula o sistema imunológico a lutar contra o vírus, com o Ribavirina, administrado via oral, incitando o efeito do Interferon.
Utilizadas nos Estados Unidos e Europa, as medicações Telaprevir e Boceprevir passaram a ser opções adicionais ao tratamento usual. "O Brasil adotou esse molde de medicamentos desde o ano passado, mas não conseguiu cumprir as suas metas terapêuticas. Apesar de estar disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), até o momento não conseguimos cumprir o número de pacientes que imaginávamos poder tratar", observa.
Ainda de acordo com Paraná, os especialistas vislumbram a possibilidade de uma vacina para Hepatite C dentro de 10 anos. "Antes disso, não. Pois se trata de um vírus que muda muito quando é pressionado pelo sistema imunológico", ressalta.
O infectologista Jan Steghmann, responsável pelo Ambulatório de Hepatites do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), acrescenta que novos medicamentos, entre eles o Sofosbuvir e Ledipasvir já foram aprovados pelo FDA e EMEA. "São opções extremamente potentes e sem os efeitos colaterais terríveis do Interferon. São mais toleráveis também porque é um comprimido por dia, mas o entrave é o preço", completa.
Para Jan Steghmann, o maior desafio agora é diagnosticar os portadores de Hepatite C. O médico Raymundo Paraná diz que a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) defende uma campanha para estimular que todos os indivíduos acima de 45 anos façam o teste para Hepatite C, e todo médico, de qualquer especialidade, solicite o teste de HPV para os pacientes.
"Foi uma política recentemente implementada nos Estados Unidos e que queremos trazer para o Brasil porque a melhor forma de lidar com uma doença silenciosa é rastreá-la. Enquanto tivermos no país mais de 90% dos portadores de Hepatite C não diagnosticados, não podemos beneficiá-los. A opção terapêutica tem que estar contextualizada com ações que levem ao aumento do diagnóstico", salienta.

