Um novo medicamento promete revolucionar o tratamento da osteoporose. Os estudos em torno da droga são coordenados por pesquisadores norte-americanos e estão sendo desenvolvidos por centros de pesquisas mundo afora, cinco deles sediados no Brasil sendo um no Centro de Estudos em Reumatologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. A novidade está no fato do medicamento fazer a reposição da massa óssea e não apenas o controle da perda de cálcio pelos ossos, como os remédios convencionais. "As expectativas em torno desta droga são as melhores possíveis. Além de estacionar a doença, o produto fortalece o osso, o que reduz os índices de fratura nos pacientes", salienta o chefe da especialidade de Reumatologia da UFPR, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso) e coordenador da pesquisa no Estado, Sebastião Cezar Radominski.
De acordo com o médico, as fraturas provocadas pela osteoporose são grandes responsáveis pela incapacidade e até mesmo pela mortalidade de mulheres com mais de 60 anos. A doença é silenciosa, causa queda significativa na qualidade de vida do paciente, e atinge uma a cada três mulheres e um a cada cinco homens com mais de 50 anos. Conforme dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), estima-se que 10 milhões de pessoas tenham a doença no Brasil e que 2,4 milhões de fraturas ocorram anualmente no País por conta da osteoporose. Pesquisas apontam que, a quantidade anual de fraturas vai quase triplicar até o ano de 2050, chegando a 6,3 milhões. A incidência aumenta proporcionalmente à expectativa de vida da população.
As fraturas de colo de fêmur e de vértebras são as mais temidas por médicos e pacientes, sendo que esta última é responsável pela redução da altura das mulheres idosas. "Entre 20% e 30% das mulheres que apresentam a primeira fratura de osteoporose morrem no primeiro ano após a ocorrência, e as que sobrevivem têm uma qualidade de vida muito reduzida", aponta o Radominski.
Ele acrescenta que cerca de 25% das pessoas que sofrem uma fratura devido ao problema, acabam tendo outra fratura no ano seguinte. Por este motivo as pesquisas em torno da doença são cercadas de grande expectativa. "Já existe uma medicação no mercado que é capaz de fazer a reposição óssea da coluna, mas este novo medicamento também fortalece o fêmur", explica.
Os estudos que avaliam a eficácia e a segurança desta nova droga estão em fase final. O medicamento já foi testado em mulheres que apresentam osteoporose pós-menopausa e, conforme o médico, os dados arrecadados no Brasil serão enviados para o grupo de cientistas norte-americanos que estão coordenando o projeto.
Após finalizada, a pesquisa será enviada para o órgão regulador de medicamentos nos Estados Unidos (FDA – Food and Drug Administration) e após aprovação será encaminhado para outros países para avaliação.
O médico destaca que pesquisas menores já mostraram que a droga é realmente segura e revolucionária, com grande possibilidade de formação de osso novo. "Provavelmente este produto estará no mercado dentro de quatro anos", estima o Radominski.


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