Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) divulgaram na última semana uma nova técnica que vai ajudar no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer. Os detalhes do novo procedimento foram divulgados durante o 7º Congresso Brasileiro do Cérebro, Comportamento e Emoções, realizado em Gramado (RS). De acordo com os especialistas, novos tipos de exames podem identificar precocemente pacientes sob maior risco de desenvolver a doença e selecionar os que se beneficiariam de opções terapêuticas mais específicas precocemente.
Em entrevista à FOLHA, o psiquiatra da USP, Breno Satler Diniz explicou que o trabalho dos pesquisadores chegou a um conjunto de técnicas capaz de confirmar quando pessoas da terceira idade, mais suscetíveis ao Alzheimer, estão realmente apresentando alterações em algumas proteínas responsáveis ao funcionamento normal do cérebro.
De acordo com o médico, o exame é realizado por meio de uma punção lombar onde se retira cerca de 5 mililítros (ml) de líquor avaliados para se detectar a concentração de duas proteínas diretamente ligadas à doença. ''A finalidade do exame é observar o padrão dessas proteínas. A redução de algumas e o aumento de outras é o que vai nos mostrar que aquele paciente apresenta alterações patológicas para o desenvolvimento do Alzheimer'', diz.
Diniz explica que o exame deve ser realizado juntamente com uma ressonância magnética que apresentará a confiabilidade de que aquele paciente apresenta um diagnóstico precoce da doença. ''A partir do momento que temos essas informações é possível direcionar o paciente a uma série de intervenções não farmacológicas inclusive, como estímulos para atividade física, de lazer, orientar para uma dieta saudável.''
Além do diagnóstico e da inserção do idoso aos novos hábitos, Diniz lembra também que é importante que esse paciente receba tratamento paralelo das outras patologias comuns a essa faixa etária, como hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto. ''É importante que ele mantenha o controle dessas outroas doenças, caso ele tenha, para que o surgimento do Alzheimer ocorra ainda mais tarde'', diz.
Degenerativa
A doença de Alzheimer é uma manifestação degenerativa ocasionada pelo acúmulo de proteínas no cérebro que causam morte neuronal e atrofia cerebral progressiva. O início das manifestações desta doença geralmente ocorre após os 65 anos. O portador apresenta perda de habilidades mentais, como a capacidade de se lembrar de eventos recentes e de memorização, pensamento, raciocínio e a linguagem e também causam alterações no comportamento.

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