Novo constraste permite diagnóstico precoce de esclerose múltipla
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domingo, 08 de maio de 2011
Fernanda Borges <br>Reportagem Local 
São Paulo - Silenciosa, a esclerose múltipla afeta 15 de cada 100 mil brasileiros. A doença neurológica causa uma piora do estado geral do paciente podendo levá-lo a um total estado de dependência. Especialistas afirmam que o diagnóstico precoce é fundamental para um bom tratamento da doença que, apesar de crônica, pode ser menos agressiva quando identificada no início.
Com o objetivo de faciliar cada vez mais esse diagnóstico, a Bayer Healthcare acaba de lançar o Gadovist 1.0, um meio de contraste que possibilita maior realce de imagem em ressonância magnética com eficácia e menos riscos, aprovado por especialistas. O lançamento aconteceu durante a Jornada Paulista de Radiologia realizada semana passada em São Paulo.
De acordo com Roberto Carneiro Oliveira, médico neurologista do setor de doenças neurovasculares da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), a esclerose múltipla é uma doença inflamatória degenerativa que quando não tratada adequadamente pode se tornar muito grave. ''Não se sabe a causa exata da doença, mas ela ocorre com mais frequência em mulheres e manifesta sintomas variados como perda de sensibilidade, inflamação no nervo óptico, entre outros. O importante é que quanto mais cedo a doença for diagnosticada melhor para o paciente pois há casos em que ela afeta áreas silenciosas do cérebro sem manifestar sintomas'', enfatiza.
O médico neuroradiologista Alex Rovira Canellas, chefe da Unidade de Ressonância Magnética do Hospital Universitário de Barcelona, na Espanha, explica que o uso do contraste nos exames de ressonância magnética para identificar lesões ocorre há anos, porém, muitos deles podem causar sérios danos à saúde do paciente, principalmente aqueles que apresentam algum tipo de problema nos rins. ''Muitos contrastes são feitos com metais muito óxidos com efeitos tóxicos e que podem até matar'', enfatiza.
O Gadovist 1.0 já foi aprovado pela FDA e recentemente aprovado pela Agência Nacional de Vigilência Sanitária (Anvisa) e será disponibilizado ao mercado ainda no primeiro semestre deste ano.
Cuidados
O constraste é um produto químico injetado no paciente no momento em que passa pela ressonância. O medicamento ajuda a identificar as lesões no cérebro de maneira mais precisa porque destaca os pontos danificados com cores mais fortes ou diferenciadas. Segundo os especialistas, no caso do Gadovist 1.0, é possível uma melhora significativa na visualização das lesões fazendo com que o médico possa diagnosticar não só a esclerose múltipla mas também metástases iniciais de câncer no cérebro.
O neuroradiologista, Antônio José da Rocha, da Santa Casa de São Paulo, lembra ainda que alguns tipos de contrastes podem desencadear uma fibrose sistêmica no paciente, condição que ocorre em pessoas com disfunção renal causando lesões em articulações, músculo esquelético, fígado o que pode ser fatal. ''A chance de ocorrer uma fibrose sistêmica é remota, mas esse novo contraste nos mostrou uma melhor eficácia com ainda mais segurança'', finaliza.

