Há cerca de quatro anos a professora Diva Gomes da Silva, 64 anos, levou um tombo que resultou no rompimento dos tendões do ombro direito e na perda de movimentos. ''Era tanto sofrimento e dor que eu precisava de uma pessoa para me acompanhar durante todo o tempo'', contou Diva. Neste período, ela chegou a pensar que não conseguiria mais ser independente, como era antes do acidente.''Não conseguia tomar banho sozinha, nem me vestir ou pentear o cabelo'', relatou a professora, que entrou em depressão.
Até ela ser informada sobre a nova prótese, Diva passou por três cirurgias sem sucesso. Somente na quarta intervenção ela colocou a prótese reversa de ombro e após quatro meses de fisioterapia os movimentos do braço foram recuperados. Hoje Diva comemora quando consegue erguer o braço acima da cabeça. ''Minha qualidade de vida voltou a ser o que era'', garantiu.
A prótese reversa de ombro é usada em casos de pacientes que romperam todos os tendões do ombro e não há possibilidade de fazer uma cirurgia reparatória. Ela também é indicada para salvar os maus resultados de cirurgias anteriores. O mecanismo tem a capacidade de estabilizar o ombro, diz o médico, acabar com a dor e recuperar até 80% dos movimentos.
De acordo com o médico ortopedista Jonas Blanco, os tendões do ombro são responsáveis pelo movimento de levantar o braço. ''O sistema da prótese reversa possibilita mudar o mecanismo de forças do ombro, sem precisar reconectar os tendões'', disse. O médico ortopedista Diogo Bader acrescentou que a prótese dá estabilidade para o que o músculo deltóide comande o movimento. ''A prótese substitui os tendões que geralmente estão degenerados e sem condições de serem refeitos'', explicou Bader.
O desgaste dos tendões com a idade podem levar a este tipo de lesão, os ortopedistas explicaram que este quadro não é tão comum. ''A grande maioria das cirurgias que fazemos é reparadora. Quando o paciente é jovem, geralmente conseguimos recuperar o tendão usando videolaparoscopia. A prótese só é utilizada em último caso, quando a situação é mais grave'', disse Blanco. Ele acrescentou que a técnica é aplicada quando os tendões e músculos da região estão debilitados.
A cirurgia é uma das maiores realizadas no ombro e dura cerca de duas horas.
Apesar disso a recuperação do paciente é menos dolorosa e mais rápida do que a cirurgia convencional, já que o procedimento é considerado minimamente invasivo porque é feito por artroscopia, técnica que utiliza pequenas incisões que permitem ao médico ver e trabalhar dentro do ombro.
Os médicos consideram a prótese reversa uma solução para casos extremos. ''A protese que era usada antes é precaria e não devolvia os movimentos ao paciente. Hoje, além de tirar a dor, conseguimos permitir que ele faça tudo o que fazia antes'', declarou Blanco.
O rompimento dos tendões tem relação com o desgaste e geralmente acontece no lado dominante, que a pessoa usa mais. O ortopedista não descartou a influência de fatores genéticos no aparecimento do problema. ''Temos um paciente de 32 anos que teve lesão grave nos dois lados. Por mais que ele desenvolva uma atividade que possa comprometer os ombros, a genética acaba interferindo e o deixa mais vulnerável'', afirmou Blanco.

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