A Organização Mundial de Saúde acredita que dentro de 20 anos o câncer se tornará a principal causa de morte dos países em desenvolvimento. A expectativa é que sejam registrados por ano cerca de 30 milhões de novos casos da doença, com 17 milhões de mortes. Um dos motivos desta epidemia é o envelhecimento da população em países em desenvolvimento que adotam hábitos de vida ocidentais.
Pesquisas apontam que nos últimos 15 anos houve queda da curva de mortalidade por câncer nos países desenvolvidos. Isso acontece por conta das novas tecnologias de diagnóstico e tratamento da doença, que já estão disponíveis para pacientes nestes países.
De acordo com o oncologista, professor do departamento de medicina interna da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e professor adjunto da University of Miami School of Medicine, Carlos Barrios, a novidade da área oncológica chama-se medicina personalizada. A técnica baseia-se no fato de que os tumores não são todos iguais e que as características da doença variam de uma pessoa para outra. ''Podemos dizer que o câncer é uma 'doença viva', que além de mudar com o tempo pode apresentar tumores semelhantes entre si, mas com diferenças de comportamento que exigem tratamentos variados'', explica.
Conforme ele, o principal desafio da medicina oncológica atual é identificar as características moleculares de cada tumor e desenvolver tratamentos adequados a cada caso. ''O objetivo das novas tecnologias é buscar a cura ou controlar o avanço da doença'', destaca. As medicações da medicina personalizada possibilitam o tratamento da doença de acordo com as características de cada tumor. O médico afirma que os novos medicamentos podem ser comprimidos ou injetáveis -como a quimioterapia - e que há casos em que eles permitem transformar o câncer numa doença crônica, aumentando a expectativa e a qualidade de vida do paciente.
Atualmente há no Brasil dois medicamentos aprovados pela Anvisa e sendo comercializados, no entanto, para definir se as drogas disponíveis são adequadas ao tipo de tumor do paciente, é preciso fazer uma análise molecular, que não está acessível em todos os lugares. ''Nem todos os médicos patologistas sabem fazer esta análise'', afirma Barrios. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer tem um laboratório de pesquisas que utiliza esta tecnologia, mas o serviço ainda não está disponível a pacientes do Sistema Único de Saúde, por exemplo.
De acordo com Barrios, todo câncer é curável quando diagnosticado em estágio inicial, mas o mesmo não se pode dizer quando a doença é descoberta em sua fase avançada.
A vice-presidente da unidade de Oncologia da Pfizer, Martine George, explica que na oncologia, o que determina o tratamento adequado é a biologia do tumor e isso varia conforme fatores ambientais, biomarcadores e a história médica do paciente. ''Houve muitas mudanças nos últimos oito anos, antes os tratamentos eram focados no tumor e hoje mudamos a forma de olhar a doença. Há opções de tratamentos, não estamos limitados à radioterapia, fazemos terapia de alvo molecular direcionada'', destaca. Atualmente vários laboratórios farmacêuticos desenvolveram medicamentos que usam esta tecnologia.
* A repórter viajou a São Paulo a convite da Pfizer

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