Com o diagnóstico de hipercolesterolemia familiar (HF), os pacientes passarão a tomar medicamentos continuamente para redução do LDL. A classe de medicamentos de base, que agem na síntese do colesterol são as estatinas, conforme explica o cardiologista Fabrício Parra Garcia. "Atualmente, temos dois tipos de estatina disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Novas drogas estão sendo estudadas, com boas promessas de eficácia, mas poderão envolver a questão do custo elevado", observa.
Além disso, ele ressalta que entre o baixo número de pacientes diagnosticados, cerca de 25% deles não são bem tratados. Para a cardiologista Luciana Giangrande, a maior dificuldade é a adesão ao tratamento. "Em muitos casos, o paciente toma o medicamento e, após algumas semanas, os exames mostram que o LDL está dentro do limite. Com isso, o indivíduo interrompe o tratamento e em dois, três meses, o nível se mostra alto novamente", constata.
Diretora médica do grupo Sanofi, Luciana cita estudos atuais com a molécula Alirocumabe. Injetável, a droga abre a possibilidade de ser somada ao arsenal terapêutico para reduzir os níveis de colesterol em adultos com HF ou com doença cardiovascular aterosclerótica.
O Alirocumabe é um inibidor da proteína PCSK9, que circula no sangue e provoca a redução do número de receptores de colesterol LDL presentes no fígado. "Quando tenho muito PCSK9, tenho poucos receptores na superfície da célula e, consequentemente, colesterol mais alto no sangue. Quando inibo a PCSK9 com Alirocumabe, tenho mais receptores de LDL e menos colesterol circulante", detalha.
Ainda de acordo com a diretora médica, o estudo, que envolve cerca de cinco mil pacientes, já sinalizou a redução de risco cardiovascular quando se atinge níveis mais baixos de LDL. Porém, o efeito do Alirocumabe na mortalidade e morbidade cardiovascular ainda não foi determinado.
A nova droga vem sendo desenvolvida pelas empresas Sanofi e Regeneron Pharmaceuticals Inc., e foi aprovada no ano passado pela agência americana Food and Drug Administration (FDA). No Brasil, os estudos também foram divulgados no 37º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), realizado no mês passado. (M.O.)

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