No Paraná, cinco crianças esperam por córnea
Assim como a família de Stefany, que aguardou com ansiedade a doação de uma córnea, outras cinco famílias enfrentam atualmente a mesma espera.
Dados da Central Estadual de Transplantes do Paraná apontam que cinco crianças, entre 1 e 10 anos, aguardam por uma córnea no Estado. Esse número só fica abaixo da lista de espera por um rim, com atualmente 12 crianças.
Se considerarmos todas as faixas etárias, a estatística sobe para 372 pessoas no cadastro técnico. Por outro lado, muitos transplantes de córnea estão sendo realizados entre janeiro e março deste ano. Só no Paraná, foram registrados 210 cirurgias para transplante, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Porém, os casos envolvendo crianças não são tão comuns no País. De acordo com Ogle Beatriz Bacchi de Souza, coordenadora da Comissão à Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Copott) em Londrina, uma das justificativas pode partir do princípio de que a doença ocular que mais demanda transplante é o ceratocone, que consiste na alteração do formato da córnea e surge, geralmente, na faixa etária dos 10 aos 25 anos.
Em outros casos, a indicação é em decorrência de outras patologias, como foi o caso da Stefany. No Hospital Evangélico (HE), onde a garota foi submetida ao transplante, não se registrava um transplante de córnea infantil há cinco anos. "Foi um acontecimento importante e feliz", diz Elizabeth Capelo, coordenadora de transplantes do HE.
A instituição conta desde 2001 com uma Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT). Ao longo dos anos, algumas ações repercutiram na reestruturação do serviço, como um trabalho de humanização entre doador e receptor.
"No caso dos transplantes de rim, quem doa e quem recebe, geralmente, são familiares e, por isso, aqui no hospital eles são alocados no mesmo quarto logo após a cirurgia. Isso resulta inclusive em uma recuperação mais rápida", afirma. (M.O.)




